Contraguerrilha


Contraguerrilha

A guerra em Angola, Guiné e Moçambique desenrolou-se essencialmente em terra, porque era aí que vivia a população que constituía o objectivo a conquistar.
Tal como em anteriores conflitos deste tipo, foi sobre o Exército que recaiu o principal esforço, mas, à semelhança do que aconteceu na Indochina, na Argélia, na Malásia ou no Vietname, caberia às forças navais e aéreas desempenhar importantes papéis no apoio às operações terrestres.
Contudo, só em parte elas os puderam desempenhar, tendo as limitações ao seu emprego constituído mais um claro sinal das fragilidades do aparelho militar português e da sua incapacidade para suportar uma guerra de longa duração.
De facto, enquanto se verifica um contínuo aumento da agressividade e da quantidade das acções de iniciativa dos movimentos de libertação, do lado das forças portuguesas é nítida a diminuição da vontade de combater e da qualidade das unidades de combate. Nestes casos, para manter a superioridade táctica, a solução é aumentar a percentagem do esforço operacional dos meios que projectam a sua força à distância, com menores custos humanos: as forças aéreas e navais.
Foi o que os EUA fizeram no Vietname com os bombardeamentos maciços. Simplesmente, por falta de recursos para desenvolver essas forças, Portugal não podia seguir esse caminho e viu desgastar continuamente a sua superioridade, até a perder por completo.
A continuação da guerra para além de certo limite, que se poderá definir, para a Guiné e Moçambique, no início de 1973, com a introdução dos mísseis antiaéreos Strella, no primeiro daqueles teatros, e pela generalização das acções da Frelimo no istmo de Tete, no segundo, passou a ser, além de outras considerações de ordem política, uma irracionalidade do estrito ponto de vista de um estudo de situação militar.
Na análise comparativa do potencial relativo de combate, passo inicial para verificar das possibilidades de êxito de uma dada acção, verifica-se que, em 1973, as forças terrestres portuguesas na Guiné e em Moçambique haviam deixado claramente de dispor de superioridade directa quando se confrontavam no terreno com as unidades da guerrilha mais bem armadas, mais bem instruídas e dispondo de comandantes experientes, e não podiam contar com apoios aéreos ou de artilharia, incluindo a naval, que desequilibrassem a balança a seu favor, ou estes meios eram insuficientes.
O exemplo típico desta situação é a queda de Guileje, em Maio de 1973, e a velocidade de alastramento da guerra em Moçambique em direcção à Beira e a Vila Junqueiro, ao longo desse ano e de 1974.


Índice
1 - Contraguerrilha
2 - O Exército
3 - A Marinha
4 - A Força Aérea
5 - As forças não regulares