Logística


Logística

«A Logística é o ramo dos conhecimentos militares que tem por finalidade proporcionar às forças armadas os meios humanos e materiais necessários para satisfazer as exigências de guerra.»

As Forças Armadas portuguesas adaptaram a sua doutrina logística para situações de conflito a partir dos princípios e normas de origem americana estabelecidos para a guerra convencional, no âmbito da NATO. Neles se estabelecem as cinco funções logísticas que reúnem grupos de actividades afins: abastecimento, evacuação e hospitalização, transporte, manutenção e serviços.
Para as executar no terreno, prevendo e provendo às necessidades das tropas, organizaram-se serviços no Exército, com as respectivas missões:

- Serviço de Engenharia: trabalhos de construção, reparação e manutenção de instalações e vias de comunicação, montagem e exploração de redes de distribuição eléctrica, pesquisa e exploração de fontes de água e fornecimento de cartas topográficas;

- Serviço de Transmissões: comunicações entre comandos e unidades, fornecimento do respectivo material, sua manutenção e reparação;

- Serviço de Transportes: organização e execução de transportes marítimos aéreos e terrestres;

- Serviço de Material: operações de carácter técnico relativas a armamento, viaturas e munições;

- Serviço de Intendência: abastecimento de víveres, combustíveis e lubrificantes, de fardamento, calçado, equipamentos e material de aquartelamento

- Serviço de Saúde: preservação a saúde das tropas e recuperação dos feridos e doentes, produção e distribuição de medicamentos.

Além destes, foram ainda implantados outros serviços especiais, de que se destacam pela sua importância:

- Serviço Postal Militar (SPM): responsável pelo encaminhamento de toda a correspondência oficial e particular;

- Polícia Militar (PM): manutenção da disciplina, lei e ordem militar;

- Serviço Cartográfico, Cinematográfico e Fotográfico (SCE): execução de levantamentos cartográficos, de reportagens cinematográficas e fotográficas;

- Assistência Religiosa.

A nível dos estados-maiores e dos quartéis-generais, a actividade logística era planeada e coordenada pelas 4.ªs repartições. No Exército, a responsabilidade superior a nível logístico cabia a um general designado como quartel-mestre-general; na Marinha, ao superintendente do material; na Força Aérea existia um comandante logístico.

Na Marinha, o apoio aos navios e embarcações pertencentes aos comandos navais e de defesa marítima processava-se nos serviços de assistência oficinal das instalações navais, existindo serviços destes em Luanda e Lourenço Marques, a partir de 1964, e em Bissau, a partir de 1965.

Na Força Aérea, o sistema logístico de apoio às aeronaves em operações nas regiões aéreas de Angola e Moçambique e no Comando da Zona Aérea da Guiné e Cabo Verde processou-se de forma idêntica à estabelecida para as aeronaves que se encontravam nas bases em Portugal. As grandes manutenções e reparações eram efectuadas nas OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico), situadas em Alverca, e as manutenções e reparações de nível orgânico e intermédio faziam-se nos grupos de material das próprias bases. A cadeia de reabastecimento de material era suportada pelo Depósito Geral de Material da Força Aérea, situado junto das OGMA, e a actividade de intendência e de contabilidade foi organizada a partir de delegações da Direcção do Serviço de Intendência e Contabilidade junto dos comandos das regiões e zonas aéreas.

Em Angola, no início da guerra não existia estrutura capaz de apoiar as unidades do Exército, que chegavam em ritmo crescente, e a sua criação assentou no estabelecimento de uma base logística em Luanda e na divisão da Região Militar em duas áreas logísticas, uma englobando o Norte (ZIN) e a outra o restante território.
Os reabastecimentos processavam-se a partir de Luanda e os serviços estavam centralizados.
A partir dos depósitos base dos vários serviços eram enviadas para as unidades remessas periódicas dos artigos requisitados, em transportes terrestres, marítimos e aéreos, civis ou militares. Os abastecimentos eram levados para todo o território de Angola, excepto Cabinda, em viaturas militares ou civis fretadas, através dos movimentos logísticos, os MVL, como ficaram conhecidos. A Força Aérea e a Marinha participaram também no sistema de transporte, onde se incluiu, quando foi caso disso, o caminho-de-ferro.
A abertura da frente leste obrigou a criar órgãos logísticos avançados, sendo o apoio centralizado na cidade do Luso.

Na Guiné, além da ausência quase total de estruturas económicas que suprissem pelo menos em parte as necessidades logísticas, o pouco que existia concentrava-se em Bissau, pequena cidade com mau porto de mar, onde era difícil armazenar, com um mínimo de condições, os abastecimentos idos de Portugal.
De Bissau para o interior eram muito deficientes as vias terrestres, e embora ao longo dos anos tivessem melhorado em qualidade, com a asfaltagem dos principais itinerários, essa melhoria foi anulada pelo aumento da insegurança resultante da escalada das acções do PAIGC. Foi por isso necessário aproveitar a rede fluvial que penetrava no território, embora esta apenas possibilitasse a navegação a embarcações de pequeno calado, as quais estavam ainda condicionadas pelas marés. A estas restrições devem acrescentar-se as adversas condições climatéricas, que depauperavam as tropas, aceleravam o desgaste do material e tornavam difícil a conservação dos víveres.
Também a violência da guerra aumentava as dificuldades de todas as acções de apoio aos combatentes.
A dependência de uma fonte exterior, as condicionantes dos transportes, com 70 por cento deles a serem efectuados por via fluvial, e a acção do PAIGC aconselhavam a dispor de elevados níveis de reservas, o que era dificultado pela insuficiência das infra-estruturas, de armazenagem e de meios de manutenção.
A rede de frio, necessária nos outros teatros, era indispensável na Guiné para assegurar uma quantidade mínima de alimentos frescos às tropas, tendo a Força Aérea acção relevante no transporte desses alimentos.
Além da Intendência e dos Transportes, dois outros serviços desempenharam papéis de importância decisiva: as Transmissões e o Serviço de Saúde.
O primeiro, porque a intensidade da guerra na Guiné exigia eficaz sistema de transmissões para o comando e o controlo das operações, a fim de solicitar apoios de fogo, de evacuação sanitária e reabastecimentos; 
O segundo, porque a violência dos confrontos, aliada às condições climatéricas, provocava elevado número de baixas por ferimentos e doença, a que o Serviço de Saúde deu resposta através de um sistema de evacuação apoiado nos meios da Força Aérea e de tratamento nos seus órgãos próprios - as enfermarias, os postos avançados de sangue e de reanimação e, acima de tudo, o Hospital Militar da Guiné, em Bissau.

Em Moçambique, a organização do apoio logístico foi, acima de tudo, condicionada pela configuração do território e pela localização excêntrica dos centros de decisão política e militar relativamente às zonas de operações. Rapidamente se entendeu o desajustamento de manter depósitos base em Lourenço Marques, a dois mil quilómetros da fronteira norte, onde se desenrolavam as operações, pelo que a estrutura logística foi descentralizada, constituindo-se depósitos junto aos portos de desembarque da Beira, Nacala e Porto Amélia.
A descentralização e o relevo que os transportes tiveram são as características marcantes do apoio logístico em Moçambique e a importância destes levará à criação de uma chefia do Serviço de Transportes, dando-lhe um desenvolvimento que não teve em Angola ou na Guiné. Para fazer face às particularidades resultantes da configuração do território, o Exército dividiu-o em quatro áreas logísticas, cada uma servida por um depósito base.


Índice
1 - Logística
2 - Transportes
3 - Pessoal - Administração
Multi-média
» Progressão com...
» Lancha de...
» Nord Atlas lança...