David e Golias


David e Golias

A guerra de contraguerrilha exige grandes efectivos e grandes meios, dura muito tempo e o resultado é quase sempre desfavorável aos exércitos regulares

Forças de guerrilha - forças regulares

Para se apreciar a aparentemente desproporcionada relação de forças que existiu entre os efectivos militares portugueses, nos três teatros de operações, e os efectivos dos guerrilheiros é necessário compreender que as forças de guerrilha se encontram por toda a parte e não à retaguarda de uma linha de contacto bem definida; e que são constantemente agressivas e destruidoras, mas que se diluem e se escapam, antes que as unidades dos exércitos regulares tenham tempo de as enfrentar, para reaparecer em breve noutro local.

Este desgastante tipo de combate exige um número de combatentes regulares muito superior àqueles que uma análise superficial dos efectivos dos guerrilheiros permitiria deduzir, obrigando as forças regulares a empregar processos adequados às características desta guerra, em tudo semelhantes àqueles que as guerrilhas utilizam.

A organização das forças. A companhia de caçadores, com cerca de cento e setenta homens organizados em quatro grupos de combate, foi, do lado português, a unidade básica da guerra, e o capitão o seu elemento-chave. Era uma unidade com capacidade para viver, deslocar-se e combater com grande independência.

Os movimentos de libertação tiveram, por seu lado, organização muito diferenciada entre si, entre cada teatro de operações e ao longo da guerra.

De modo muito geral, pode dizer-se que o grupo de guerrilha, de efectivos variando entre os dez e os quarenta elementos, foi a unidade-base. Estes grupos tomaram a designação de patrulhas, grupos e bigrupos ao longo da guerra. No entanto, na Guiné e em Moçambique, o PAIGC e a Frelimo constituíram unidades comparáveis aos batalhões das forças portuguesas, com efectivos da ordem dos seiscentos elementos, criando ainda estados-maiores complexos com secções de apoio logístico, órgãos especializados de informação, de controlo ideológico (comissários políticos), de propaganda e de administração .


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