Fuzileiros


Fuzileiros

As alterações na política de defesa nacional, visíveis após 1959 com a atribuição da primeira prioridade de intervenção aos territórios africanos, também teve consequências na Marinha, com a criação dos comandos navais de Angola e Moçambique e do Comando da Defesa Marítima da Guiné, e ainda com a constituição de unidades de infantaria, designadas como de desembarque, de assalto ou anfíbias, que estiveram na origem das que vieram a ser conhecidas como fuzileiros.
Em Outubro de 1960, a Marinha enviou a Inglaterra o tenente Pascoal Rodrigues, acompanhado por três marinheiros, para frequentarem um curso nos Royal Marines, familiarizando-se com as técnicas e práticas de actuação daquele corpo de tropas.
Foi com os conhecimentos então adquiridos, e seguindo o modelo inglês, que se formaram os fuzileiros em Portugal.
Os primeiros cursos foram ministrado por aqueles militares, no Corpo de Marinheiros, a pessoal oriundo das fileiras da Armada. Foi com estes efectivos que o Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º1 (DFE 1) partiu para Angola, em Novembro de 1961.
Desde então, a instrução começou a ser ministrada em Vale de Zebro, onde passou a funcionar a Escola de Fuzileiros.
Em Junho de 1962, o DFE 2 partiu para a Guiné com fuzileiros já formados naquela escola, seguindo-se outras unidades, companhias e destacamentos para os três teatros de operações de Angola, Guiné e Moçambique.
O destacamento de fuzileiros especiais era a unidade de elite da infantaria da Marinha, vocacionada para o combate em terra, com um efectivo de 80 110 homens organizados em três grupos de assalto. Na sua orgânica final, o DFE dispunha de quatro oficiais e seis sargentos, sendo a restante guarnição formada por praças, das quais uma elevada percentagem pertencia aos quadros permanentes, completada por marinheiros e grumetes recrutados como voluntários.
O tempo de serviço destes militares era de seis anos para os voluntários e de quatro para os oriundos de recrutamento, pelo que muitos deles cumpriam duas comissões de serviço operacional. Este facto melhorava o desempenho em operações das unidades, fruto da experiência de número apreciável dos seus elementos.
As unidades de fuzileiros eram formadas na Metrópole e durante toda a comissão, de dois anos, apenas eram feitos os completamentos das baixas então sofridas. No regresso, procedia-se à rendição de todos os efectivos, e a mesma unidade, com o mesmo número mas com guarnição totalmente renovada, tornava a partir para nova comissão em qualquer dos teatros de operações de África. Este sistema era diferente do utilizado pelo Exército, que optou por mobilizar unidades para comissões de dois anos, que se extinguiam após o regresso, e também distinto do da Força Aérea, que rendia o seu pessoal individualmente, mesmo nas unidades de pára-quedistas.
As companhias de fuzileiros navais destinavam-se a montar segurança nos aquartelamentos e nos comandos navais, a destacar pelotões para apoio de unidades em situação de isolamento e a escoltar comboios de embarcações que utilizassem os rios como vias de acesso ao interior dos territórios. À semelhança dos destacamentos, também as companhias cumpriam missões de serviço de cerca de dois anos.
As unidades de fuzileiros estavam organizadas em equipas de quatro ou cinco homens (Angola e Moçambique) ou em esquadras de três homens (Guiné). Cada uma destas equipas/esquadras era formada por um chefe e pupilos, podendo ter à sua responsabilidade uma arma de apoio, que era operada pelo chefe, apoiado pelos seus pupilos, que o defendiam e municiavam, armados de G-3.
As esquadras/equipas eram reunidas em secções as quais, por sua vez, se repartiam em grupos de assalto e/ou grupo de combate, comandados por um oficial. O destacamento podia operar como um todo ou dividido por grupos de assalto, ou até em secções, caso a situação o permitisse.
Estas unidades deslocavam-se em meios muito ligeiros - botes pneumáticos Zodiac, no início, posteriormente Zebro III e por vezes botes de fibra, ou lanchas -, podendo ainda ser lançadas de helicóptero (Alouette III e Puma SA330). Geralmente, as operações de assalto e golpes de mão iniciavam-se a meio da noite, sendo os percursos feitos através de rios ou lagos, com desembarques antes da alvorada.
Os fuzileiros realizavam, além das operações típicas da contraguerrilha, patrulhamentos ao longo dos rios e das costas, normalmente de noite. Para tal, organizavam-se em esquadras/equipas de três ou quatro homens por bote, procurando impedir que os guerrilheiros utilizassem aquelas vias de comunicação de fácil acesso para os seus movimentos tácticos e logísticos.
A G-3 foi a arma individual utilizada pelos fuzileiros durante toda a guerra.
Como armas de apoio utilizaram o LGF 8.9 (bazuca), o LGF 37 mm (Iança-roquetes), os morteiros 60 e 81, bem como as ALG (dilagramas) e as metralhadoras MG e HK-21.


Índice
1 - Fuzileiros
2 - Fuzileiros em Angola.
3 - Fuzileiros na Guiné
4 - Fuzileiros em Moçambique
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