Pára-quedistas


Pára-quedistas

A criação das tropas pára-quedistas deve-se ao então ministro da Defesa Nacional, coronel Fernando Santos Costa, que as incluiu na estrutura da Força Aérea durante o processo de formação daquele ramo das Forças Armadas. Esta decisão teve a oposição da chefia do Exército, que não via com bons olhos a criação de corpos especiais e, menos ainda, a integração na nova arma aérea de tropas que combatem em terra como infantaria de assalto, apesar de organizadas e preparadas para serem transportadas e lançadas de avião.

A primeira unidade de pára-quedistas das Forças Armadas Portuguesas foi o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, oficialmente apresentado em 14 de Agosto de 1955, Dia da Infantaria, em cerimónia realizada na praça Marquês de. Pombal, em Lisboa. Nesse dia, o batalhão, sob o comando do capitão Armindo Videira, recebeu das mãos do Presidente da República, general Craveiro Lopes, o seu guião. Ficou instalado no Polígono de Tancos, junto à Base Aérea N.º 3, unidade responsável pela colocação à disposição dos meios necessários ao transporte e lançamentos aéreos. O BCP, organicamente sob o comando de tenente-coronel, ou major, estava organizado em:

- Comando
- Companhia de Comando e Serviços
- Duas companhias de caçadores pára-quedistas
- Companhia de Instrução

Em 10 de Fevereiro de 1956, a quase totalidade do efectivo do batalhão realizou o primeiro salto «em massa» nas proximidades da Golegã. Utilizaram-se pára-quedas modelo T-10 e o salto foi efectuado a partir de aviões JU-52.

As tropas pára-quedistas são, no essencial, forças de infantaria com capacidade para ser lançadas de pára-quedas. Estão preparadas para combater e sobreviver em terra, mas na organização militar portuguesa surgiram integradas na Força Aérea. Esta integração, a que não terá sido alheia a personalidade de Kaúlza de Arriaga, ao tempo subsecretário de Estado da Aeronáutica, marcou o espírito e a organização das tropas pára-quedistas portuguesas. Como factores positivos, os páras puderam nascer associados ao mais jovem ramo militar, dispuseram de maior autonomia organizativa, operacional, logística e financeira do que as unidades do Exército, e, durante a guerra, beneficiaram de apoio privilegiado da Força Aérea. Conjugando estas facilidades à exigente selecção de pessoal, que era sujeito a instrução apurada, dotados de forte espírito de corpo, bem armados, equipados e comandados, os pára-quedistas constituíram, desde o início, um dos corpos de tropas mais bem preparados para o tipo de guerra em que as forças portuguesas estiveram envolvidas em África.

Os páras utilizaram desde a sua criação os uniformes da Força Aérea e, embora a sua primeira designação como «caçadores pára-quedistas» e o seu emblema - duas armas cruzadas com um pára-quedas - remetessem para a sua origem de tropas de infantaria, já o decreto que os criou determinava que o barrete número um e o bivaque seriam substituídos pela boina verde. Pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas Portuguesas foi autorizado o uso da boina como cobertura da cabeça. A integração dos páras na Força Aérea fez com que as suas unidades estivessem sempre associadas a bases aéreas, das quais os respectivos batalhões recebiam o número. Era a partir destas bases que eles saíam para o cumprimento das missões, geralmente como forças de intervenção à ordem do comandante-chefe.


Índice
1 - Pára-quedistas
2 - Os páras nos teatros de operações
Multi-média
» Unidades...