MPLA - evolução política


MPLA - evolução política

Depois da sua expulsão do Zaire, em 1963, o MPLA estabeleceu-se na República do Congo Brazzaville, donde tinha fácil acesso a Cabinda, o que lhe permitiu iniciar acções armadas neste território em 1964, e embora a sua actividade não encontrasse grande apoio por parte da população, a verdade é que os parcos resultados militares foram compensados pela experiência operacional que os seus quadros foram adquirindo, ao ponto de quase todos os comandantes do movimento terem recebido o seu baptismo de fogo em Cabinda.

Por outro lado, o MPLA continuou a manter combatentes na zona dos Dembos, onde se encontrava desde o início das hostilidades, mas, dada a impossibilidade de reabastecimento pelo Norte, onde a FNLA exercia uma acção de tampão, mantinha-se em condições de grande precariedade. As Forças Armadas Portuguesas sempre consideraram de interesse não tentar aniquilar esta presença, em virtude da rivalidade com a FNLA impedir, de algum modo, o avanço das operações para sul.

A principal dificuldade do MPLA era, nesta altura, a distância das suas bases ao território angolano, mas a independência da Zâmbia, em Outubro de 1964, viria a permitir a abertura da Frente Leste e, mais tarde, a extensão da guerrilha ao Sudeste, região conhecida por «terras do fim do mundo». O próprio nome dá ideia da distância destes territórios em relação a zonas urbanas, mas, para o movimento, o facto de os seus reabastecimentos dependerem dos transportes iniciados nos portos da Tanzânia significava ter de dispor de linhas de retaguarda com cerca de 3500 quilómetros por vias nem sempre em boas condições.

Apesar de tudo, o MPLA enviou, a partir de 1965, militantes para o Leste de Angola, onde conseguiu ter audiência entre as etnias lundas e bundas. A primeira acção armada nesta zona foi levada a efeito em Fevereiro de 1966, no distrito do Moxico, estendendo-se a guerra nesse mesmo ano ao distrito do Cuando-Cubango e, com esta estratégia, penetrou até à zona central do território, onde se concentrava a riqueza e a população, e onde poderia decidir-se a guerra.

Em Janeiro de 1967, o MPLA anunciou que a sua direcção se mudava para o interior de Angola, para as zonas libertadas. Em 1968, o movimento conseguiu infiltrar-se no distrito da Lunda, em 1969 chegou ao Bié e, em 1970, aproximou-se do rio Cuanza.

Porém, acabou por enquistar a sua acção, combatido pelas Forças Armadas Portuguesas e pelos outros movimentos, em especial a UNITA, porque não conseguiu aguentar as linhas de reabastecimento, cada vez mais alongadas, e porque acabou corroído por dissidências internas que o obrigaram a abandonar a Frente Leste em 1973. Nestas circunstâncias, a sua actividade militar voltou a circunscrever-se praticamente a Cabinda.

Contudo, a debilidade operacional do MPLA viria a ser compensada pelo êxito diplomático, já que, desde Julho de 1968, passou a ser a única organização angolana reconhecida pela OUA, o que lhe permitiu inegável projecção internacional.

As dificuldades internas do movimento tornaram-se evidentes a partir de 1970 e, para ultrapassar estes problemas, foi convocado, em 1971, um congresso, que se realizou na Zâmbia, mas no qual não se conseguiram acordos satisfatórios entre as partes, o que levou, já no final de 1972, à chamada Revolta do Leste, encabeçada por Daniel Chipenda e pelos comandantes que actuavam na zona dos bunda, que eram o grosso do contingente militar do MPLA. Num primeiro momento, esta dissidência contou com o apoio da Zâmbia e mesmo da União Soviética, mas, pouco depois, estes países voltaram a apoiar Agostinho Neto.

As críticas à forma como o líder dirigia o movimento ampliaram-se quando, em 1973, estalou a chamada Revolta Activa, sob a direcção dos irmãos Andrade e com base na República Popular do Congo, constituída por outros intelectuais e alguns dos melhores quadros negros, mestiços e brancos da organização.

Todas estas divergências no seio do MPLA e o duro confronto com a UNITA, no Leste, obrigaram Agostinho Neto a procurar, mais uma vez, a aproximação com a FNLA, com o fim de ser criado o Conselho Supremo da Libertação de Angola, em Dezembro de 1972, do qual Holden Roberto seria presidente e responsável político e Agostinho Neto vice-presidente e responsável militar.

Era quase um último esforço deste último para recuperar a capacidade de acção perante as suas bases muito heterogéneas, mas, evidentemente, a FNLA não tinha interesse em facilitar-lhe a tarefa e o acordo nunca foi levado à prática.

Apesar de todas as dificuldades, acabaria por ser no Leste de Angola que o MPLA viria a criar, como os seus congéneres da Guiné e de Moçambique, PAIGC e Frelimo, a estrutura político-militar característica dos movimentos de libertação.

É evidente que as dificuldades com que se defrontou foram superiores às das outras organizações, mas isso não o impediu de, durante algum tempo, ter criado milícias, centros de produção e comércio, registo civil, escolas de instrução militar, de alfabetização e de formação política para a população que esteve debaixo do seu controlo, mantendo também um programa semanal de rádio transmitido do Congo-Brazzaville e chamado «Angola Combatente».


Índice
1 - MPLA - evolução política
2 - FNLA - um movimento em permanente letargia
3 - Guiné-Bissau: a construção do Estado.
4 - Frelimo: a determinação de Machel.
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