Abertura de Itinerários


Abertura de Itinerários

As operações de abertura de itinerários destinavam-se a criar as condições para colocar em determinado local as tropas e os equipamentos necessários à montagem de bases temporárias ou permanentes. Estas operações podiam ainda ser autónomas, isto é, com a finalidade primária de abrir ou construir caminhos que, posteriormente, seriam percorridos por outras forças, ou então integravam-se em operações de transporte táctico ou logístico.

No início da guerra, as aberturas de itinerários foram executadas no Norte de Angola pelas próprias forças que iam ocupar as suas zonas de acção, deslocando-se os batalhões com os respectivos meios e efectivos por vias de comunicação existentes do anterior, mas que haviam sido cortados com valas e abatises, até alcançarem os seus objectivos. Estas acções repetir-se-iam na Guiné e em Moçambique, para instalar o dispositivo inicial das forças de quadrícula.

O desenvolvimento da guerra criou a necessidade de realização de operações de maior envergadura, que exigiam a concentração de grandes meios e efectivos em locais próximo das zonas de combate. Nestes casos, eram construídos itinerários tácticos em zonas de difícil acesso e de elevada probabilidade de contacto de fogo. De modo geral, pode considerar-se que todas as acções de grande envergadura realizadas pelas forças portuguesas se iniciaram com a abertura de itinerários. Em qualquer caso, autónomas ou integradas noutras, estas operações tinham de fazer face a três problemas:

- o terreno, que podia ser cortado por ravinas ou por cursos de água, ser desértico ou densamente florestado, rochoso ou pantanoso;
- a acção do adversário, que podia revelar-se pela colocação de obstáculos, constituídos por valas, abatises e, principalmente, por minas e ainda pela sua acção directa através de emboscadas;
- o material e tipo de unidades de que as forças portuguesas dispunham para a realizar e que eram quase sempre inadequados, pois as unidades preparadas e organizadas para as levarem a cabo em boas condições, a engenharia e a cavalaria, eram em número reduzidíssimo e estavam mal equipadas para o efeito.

Embora se tenham realizado ao longo dos anos da guerra várias operações clássicas de abertura de itinerários com base nos esquadrões de reconhecimento existentes, apoiados por elementos de engenharia, a forma mais vulgar de as efectuar era recorrer a uma unidade tipo caçadores e aos seus meios orgânicos.
Estas operações organizavam-se, basicamente, como coluna de viaturas que se deslocava entre dois pontos, percorrendo itinerários perigosos. O responsável pela força distribuía os seus meios e os seus homens de modo a fazer face ao perigo mais provável, as emboscadas ou as minas.
No caso de serem as primeiras as acções mais frequentes, reforçava a frente da coluna, se possível com metraIhadoras pesadas, distribuía os seus efectivos ao longo da coluna, aumentando o número de lançadores de granadas, quer fossem dilagramas, quer granadas de mão e guarnecia a retaguarda com morteiros para apoio aos elementos que caíssem na zona de morte.
Em alguns casos, as viaturas foram blindadas de forma improvisada, solução que seria abandonada, porque essas más blindagens não protegiam as tropas, provocavam estilhaços e dificultavam a saída dos militares e a sua reacção no terreno.

No caso de serem as minas a principal ameaça, a situação complicava-se e de modo geral, a unidade organizava-se do seguinte modo: um grupo de «picadores» seguia à frente da coluna, a pé, procurando detectar as minas, com uma fina vara de aço, a «pica», ou, mais raramente, com detectores de minas, grupo que era, por vezes, protegido por outro que seguia nos flancos, de modo a evitar que esses homens sofressem ataque directo.
Atrás dos «picadores» e das guardas avançadas ou de flanco, ia uma viatura rebenta-minas, normalmente pesada, primeiro as GMC e mais tarde as Berliet, carregada com sacos de terra sobre as rodas e no compartimento do condutor e no de carga, e dispondo por vezes de uma torreta blindada ou outros dispositivos que os militares portugueses improvisaram, como o enchimento dos pneus com água, o que tinha a vantagem de absorver boa parte da energia das explosões.
A coluna seguia então à velocidade dos homens que picavam as minas, procurando cada viatura não se afastar do rasto deixado pela que a precedia, de modo a diminuir os riscos de explosão de minas.

Para aumentar a velocidade ou evitar zonas que se sabia serem de maior risco, as unidades procuravam, por vezes, avançar a corta-mato, enfrentando neste caso outro tipo de obstáculos e de riscos.
A abertura de itinerários foi, com a «nomadização», a operação mais comum da guerra, tendo as forças portuguesas sofrido elevado número de baixas e enorme desgaste de material.


Índice
1 - Abertura de Itinerários
2 - Destino: Omar
Multi-média
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