Dia da Raça


10 de Junho - Dia da Raça

O 10 de Junho, como Dia de Portugal e da Raça, passou a ser identificado com a defesa das colónias e do regime, enquanto as Forças Armadas foram chamadas a representar o seu papel e a fornecer os actores principais, em adequado enquadramento.
A primeira das cerimónias militares do 10 de Junho, para condecorar combatentes, realizou-se em 1963, no Terreiro do Paço, em Lisboa, e o modelo seguido manter-se-ia, com pequenas alterações, até 1973 - formatura geral com forças dos três ramos, tendo à frente os alunos do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército, depois os cadetes da Escola Naval e da Academia Militar. Diante deles, os condecorados ou familiares dos que recebiam as condecorações a título póstumo, atrás dos quais se erguia a tribuna, com as altas entidades.

A reportagem do «Diário de Notícias» de 12 de Junho de 1963 não deixa dúvidas sobre os objectivos do cerimonial: «A majestosa Praça do Comércio era um sereno deslumbramento. Quatro mil homens descansavam as mãos nas armas da guerra. Em volta, uma multidão silenciosa. A memória dos combatentes do Ultramar impunha respeito. O Dia de Portugal começava, e foi assim que a cerimónia, presidida pelo Chefe de Estado e com a assistência de todo o Governo teve a grandiosidade merecida pelos feitos dos bravos - heróis da moderna idade.
Pouco depois das nove e meia, uma formatura militar com mais de quatro mil homens, entre os quais cinco batalhões prontos a seguir para o Ultramar, apresentaram armas à chegada do Chefe de Estado, enquanto as bandas tocavam o hino nacional e uma bateria salvava com vinte e um tiros. À direita do senhor almirante Américo Tomás ficaram os senhores presidentes do Conselho e da Câmara Corporativa, ministros de Estado, do Interior e do Exército, e à sua esquerda os senhores presidentes da Assembleia Nacional e do Supremo Tribunal de Justiça e ministros da Defesa Nacional, das Finanças e da Marinha. Nas restantes filas, os demais membros do Governo e, noutro cadeiral, o senhor arcebispo de Mitilene, que representava o senhor cardeal-patriarca de Lisboa.» As cerimónias de condecoração de militares no 10 de Junho realizavam-se também nas sedes das regiões militares metropolitanas, no Porto, em Tomar, Évora, Funchal e Ponta Delgada, onde eram presididas pelos respectivos comandantes, e nas capitais dos teatros de operações, em Bissau, Luanda e Lourenço Marques, presididas pelos respectivos governadores.
Em Lisboa, foi ainda utilizado o espaço junto à Torre de Belém para realizar a cerimónia, mas a experiência não vingou, voltando ao Terreiro do Paço.


Índice
1 - Dia da Raça
Multi-média
» Cerimonias do 10...
» Cerimonias do 10...