Resistência anti-fascista


Resistência anti-fascista





Diana Andringa





O «ano de todos os perigos» prepara a eclosão, no ano seguinte, de grandes protestos populares contra o regime. Em 31 de Janeiro e 8 de Março, há manifestações no Porto, e, em 24 de Março, a proibição do Dia do Estudante dá início a uma crise estudantil que, partida de Lisboa, rapidamente se estende a Coimbra, numa luta que transforma as universidades em importantes focos da grande resistência antifacista.


O ano de 62 ficará ainda marcado pelas grandes manifestações do 1.º de Maio que em Lisboa voltam a repetir-se em 8 do mesmo mês. Mas grande parte das famílias portuguesas enfrenta agora outra preocupação: a mobilização dos jovens para a guerra dita de África que, em 1963, se estende à Guiné e, em 64, a Moçambique. Com a guerra nas três frentes a exigir mais e mais recrutamentos, cumprir ou não o serviço militar torna-se uma escolha incontornável para a juventude portuguesa, e os que recusam juntam-se aos emigrantes económicos nas travessias a salto das fronteiras do país.


A cisão no movimento comunista internacional tem entretanto os seus reflexos em Portugal, e a oposição comunista, até então unida em torno do PCP, divide-se entre «pró-soviéticos» e «pró-chineses». Uns e outros serão alvo de repressão da PIDE, que, em 21 de Janeiro de 1965, prende dezenas de estudantes universitários e liceais, levantando ondas de protesto no estrangeiro e ... uma nova crise na universidade. Pouco depois, em Fevereiro, a polícia política assassina o general Humberto Delgado e, em Abril, na sequência da atribuição do Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores a Luandino Vieira (então detido no Tarrafal), grupos da Legião Portuguesa assaltam e vandalizam a sede daquela associação, que é encerrada.


O ano de 1967 fica marcado pelas cheias que, em Novembro, provocam centenas de mortos na periferia de Lisboa e no vale do Tejo, mas a catástrofe gera uma solidariedade estudantil que leva os estudantes a misturarem-se com a população e a conhecer os seus problemas. É, para muitos, o princípio de uma consciencialização política que vai passar-se, em grande parte, à margem do PCP.


Em Fevereiro, antes ainda que, em França, estalasse a revolta estudantil conhecida por Maio de 68, os estudantes portugueses manifestam-se, frente à embaixada norte-americana em Lisboa, contra a Guerra do Vietname - uma forma ainda eufemística de contestar a Guerra Colonial. Nesse mesmo ano, aliás, o Tribunal Plenário de Lisboa envia para os fortes de Caxias e de Peniche vários jovens ligados a uma rede de deserções. Em Março, o advogado oposicionista Mário Soares é deportado para São Tomé e em Julho, são os trabalhadores da Carris que estreiam uma nova forma de greve. A «greve da mala», com a recusa de cobrança de bilhetes, recolhe o apoio de toda a população, mas desencadeia uma forte repressão social. E em Setembro, uma onda de emoção e de esperança varre o país: a queda de uma cadeira consegue aquilo que a oposição não lograra ao longo de 35 anos: afastar do poder o ditador Salazar.


Índice
1 - 1961, o ano de todos os perigos
2 - Resistência anti-fascista
3 - Marcelismo
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