A Santa Sé


7. A Santa Sé

Luís Salgado de Matos

O colonialismo português esteve também no centro do agravamento das relações entre o Governo de Lisboa e a Santa Sé. Em 5 de Julho de 1969, a Frelimo (Urias Simango), o MPLA (Agostinho Neto) e o PAIGC (Amílcar Cabral) tinham dirigido uma carta aberta ao simpósio dos bispos africanos: acusavam a Igreja Católica romana de «apoiar explicitamente» a guerra feita por Portugal e condicionavam a «atitude futura» dos seus povos face à Igreja, de acordo com a «posição que a Igreja hoje tomar». Era difícil falar mais alto e ser mais claro.
Em 1 de Julho de 1970, Paulo VI recebeu dirigentes daqueles movimentos nacionalistas: Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Marcelino dos Santos, tendo a audiência provocado uma tempestade nas relações entre Lisboa e a Santa Sé.
A ruptura estava iminente, só não ocorreu porque o Vaticano declarou que aqueles dirigentes foram recebidos na qualidade de cristãos, tendo o Governo português preferido aceitar esta pia justificação.
Nas vésperas do 25 de Abril de 1974, desenvolvia-se em Moçambique outro conflito, mais grave. No Domingo de Páscoa, em 14 daquele mês, a DGS tinha expulsado D. Manuel Vieira Pinto, que veio para Portugal com uma variante da residência fixa. O bispo de Nampula divulgara um documento, «Imperativo de Consciência», assinado também pelos combonianos, sobretudo italianos, que foram igualmente expulsos, estes aceitavam o reconhecimento das reivindicações dos movimentos de libertação conforme os Direitos do Homem, e recusavam o Acordo Missionário, os subsídios do Estado e o ensino nas escolas públicas, mas diferentemente dos Padres Brancos queriam permanecer no território, o que aumentava o embaraço do Governo.


Índice
1 - A Igreja Católica nas Colónias
2 - Católicos e anticolonialismo
3 - Capelães Militares
4 - A Igreja nas Colónias
5 - A Igreja em Angola
6 - A Igreja em Moçambique
7 - A Santa Sé
8 - Os Católicos nas Colónias
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