Guerra subversiva


Guerra subversiva

A Guerra de 1961 a 1974 em Angola, Guiné e Moçambique foi, quanto aos objectivos, guerra subversiva para as autoridades portuguesas e guerra de libertação ou revolucionária para os movimentos de libertação; mas quanto à táctica utilizada, recorrendo ao emprego de meios e processos muito restritos, com forças ligeiras, dispersas e clandestinas, deve ser classificada como guerra de guerrilha.
A doutrina militar portuguesa de contraguerrilha começa a desenhar-se antes de a guerra se iniciar em Angola, em 1961. O que estava a ocorrer com as forças armadas de outros países europeus envolvidos em conflitos nas suas colónias alertou os militares portugueses para a necessidade de se prepararem para o tipo de conflito que se desenrolava na Indochina, na Argélia, na Malásia e até no Quénia. Os grandes princípios doutrinários para a guerra de contra-subversão e de contraguerrilha estavam já ensaiados por outros exércitos regulares e foram adaptados em Portugal através de manuais franceses, de palestras e conferências proferidas no nosso país por oficiais estrangeiros, como o coronel Pierre Closterman, de França, e o tenente-coronel Montegomery, do Reino Unido, e ainda pela frequência de estágios no estrangeiro por oficiais portugueses, nomeadamente junto do exército francês na Argélia, aonde se desIocaram nas missões militares.
Matérias relativas a esta guerra são incluídas nos currículos das escolas e institutos militares, sendo criado, em Lamego, o Centro de Operações Especiais, para transmitir as novas técnicas aos militares portugueses.

A partir destes conhecimentos e da experiência entretanto ganha em África, começou a ser editado, ainda em 1961, o manual "O Exército na Guerra Subversiva", reeditado em 1966.
Embora tenha sido sobre o Exército que recaiu o maior esforço da guerra, também a Marinha e a Força Aérea procuraram adequar os seus meios e formas de actuação às novas situações.
A Marinha reactivou a sua infantaria, preparando unidades de fuzileiros especiais - destacamentos - com organização próxima das forças anfíbias inglesas; a Força Aérea, que integrara os pára-quedistas, dotou-os de meios e de instrução adequados à guerra de contraguerrilha.
Os movimentos de libertação regeram-se, nos aspectos político-administrativos para a insurreição, pela doutrina soviética da criação de um país ou zona «santuário», no qual se instalam os órgãos de apoio e, nos aspectos militares, pelos princípios que têm a sua origem no clássico "A Arte da Guerra", de Sun Tsu, que foram aplicados com sucesso por Mao Tsé Tung e pelo general vietnamita Vo Nguyen Giap, e que podem ser resumidos em quatro máximas:

- Quando o inimigo avança, nós retiramos!
- Quando o inimigo faz alto, nós flagelamos!
- Quando o inimigo tenta evitar a batalha, nós atacamos!
- Quando o inimigo retira, nós perseguimos!


Índice
1 - Contra-Subversão
2 - Guerra subversiva
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