Planos de Acção Psicológica


Planos de Acção Psicológica

Os planos de acção psicológica diferenciavam quatro grandes grupos-alvo: oficiais, sargentos, praças e população civil, sendo por vezes os oficiais e sargentos subdivididos em militares do quadro permanente e milicianos.
Como acções que contribuíam para o êxito destes planos eram incluídas as visitas de artistas, figuras conhecidas, altas entidades, comandantes, jornalistas, com as quais se pretendia reforçar no combatente a convicção de estar a lutar por um objectivo comum a toda a sua comunidade.
As acções mais visíveis deste esforço de envolvimento ideológico dos militares foram as realizadas pelo Movimento Nacional Feminino e a Cruz Vermelha Portuguesa, que utilizavam a figura da mulher para fortalecimento do moral dos militares mobilizados e incluíam actividades como o Natal do Soldado, a angariação de madrinhas de guerra, a visita a feridos, a oferta de lembranças aos contingentes mobilizados no momento da despedida e o envio de artigos de desporto e lazer às unidades em África, desde bolas de futebol, a isqueiros, discos, livros e revistas.
Quando, em 1961, se iniciaram as operações militares em Angola, as forças portuguesas não dispunham de Serviço de Acção Psicológica, nem mesmo de um simples organismo especializado nessa actividade. O primeiro passo para a sua criação foi dado em 1963, com a realização de um estágio para oficiais. Em 1964 constituíram-se as subsecções de acção psicológica integradas na contra-informação, que evoluíram rapidamente para Secção de Acção Psicológica, no âmbito da 2.ª Repartição do Estado-Maior (Informações).
Seria em estreita ligação com a actividade das informações que a Acção Psicológica se desenvolveu durante toda a guerra quer na Metrópole, quer nos teatros de operações, competindo às 2.ª Repartições dos Quartéis-Generais dos Comandos-Chefes e das regiões militares planear e accionar toda a manobra psicológica. A nível superior foi criado, no Secretariado-Geral da Defesa Nacional, o Serviço de Informação Pública das Forças Armadas, que, além da sua missão específica, tinha também tarefas no âmbito da acção psicológica, alargadas aos três ramos das Forças Armadas.
Foi, no entanto, a 2.ª Repartição do Estado-Maior do Exército que editou o "Boletim de Informações", onde, além dos acontecimentos nacionais e internacionais, era apresentada a análise dos aspectos mais interessantes da situação psicológica e das acções psicossociais levadas a cabo pelas forças portuguesas.
A compreensão da cada vez maior importância desta componente na condução das operações e no condicionamento ideológico das populações, embora não se tenha traduzido na criação de um serviço específico de acção psicológica, levou, contudo, os dirigentes políticos e os altos comandos militares a nomearem, em 1970, um grupo de trabalho para apoiar uma comissão interministerial constituída para coordenar as actividades dos vários ministérios envolvidos.


Índice
1 - Psico
2 - Planos de Acção Psicológica
3 - Doutrina
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