Relações de dependência.


Relações de dependência.

Na década de 1960, Portugal era o único país do mundo a ter um Ministério do Ultramar.
Novo e imponente edifício para instalar este ministério foi inaugurado no Restelo, em Lisboa, em 1966. Esta inauguração tinha um significado. O regime saído do golpe de 1926, depois de anos de sonolenta indiferença relativamente a África, amarra com pompa e circunstância a sua sorte à da sua política ultramarina.
Esta política transformara-se na questão de vida ou de morte para o grupo de interesses que o apoiavam, e Angola é, de todos os territórios, aquele que reúne melhores condições para ser apresentado ao imaginário nacional como pátria intercontinental e plurirracial: riqueza potencial, espaço e proximidade com a Metrópole e um acontecimento marcante utilizado como apelo à defesa daquela terra: os massacres de 1961.
O imponente edifício cor-de-rosa, onde hoje estão instalados o Ministério da Defesa e o Estado-Maior General das Forças Armadas, constituiu, a partir de então, a sala de operações onde se planeou e comandou, até ao pormenor, a manobra decisiva do regime. Nessa manobra não foi previsto um itinerário de retirada, nem levantadas hipóteses de manobras alternativas ou de contingência.
A política ultramarina era decidida e executada pelo Governo central, que nomeava os governadores e detinha poder de veto sobre as decisões tomadas localmente. O Ministério do Ultramar constituía, de facto, o órgão executivo da política ultramarina, enquanto os governos provinciais eram os «delegados» locais da implementação e adaptação das decisões tomadas. As províncias ultramarinas não têm correspondência administrativa na Metrópole. No topo da sua hierarquia encontra-se um governador, nomeado por proposta do ministro do Ultramar. No caso de Angola esta era uma província (Estado em 1972) de governo-geral, e o seu território achava-se dividido em quatorze distritos no seu corpo principal, sendo o décimo quinto constituído pelo enclave de Cabinda. Os distritos estavam subdivididos em concelhos e circunscrições. No nível inferior da organização administrativa encontravam-se os postos.


Índice
1 - Diversidade Geográfica
2 - Economia
3 - Relações de dependência.
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