O conflito.


O conflito.

Os movimentos de libertação, no desenvolvimento do seu projecto político que visava a criação de um Estado angolano independente, apresentaram diferentes propostas programáticas sobre vários aspectos da sua acção (ver quadro).

Antes de 1961, existiu também aquilo que se pode designar por «nacionalismo dos colonos», que expressava o sentimento dos portugueses residentes ou nascidos em Angola de se autonomizarem de Portugal. Este sentimento expressou-se com maior nitidez entre os colonos de categoria social mais elevada, que chegaram a colocar hipóteses de secessão com a Metrópole, tendo atingido ponto alto entre 15 de Março e 15 de Abril de 1961, os trinta dias que Salazar demorou a decidir - «Para Angola, em força».
Durante esse mês, estes brancos não se coibiram de censurar Salazar diante de estupefactos jornalistas idos da Metrópole, queixando-se de que «de Portugal, nem uma palavra».
São estes mesmos brancos que tratam da sua própria defesa, criando uma organização de voluntários que ocupa o vazio de poder militar motivado pela ausência de efectivos das Forças Armadas.
O desenvolvimento da luta armada alterou por completo a situação, separando as águas.
Os colonos europeus ou deles descendentes renunciaram à solução independentista branca, à secessão com a Metrópole, enquanto os colonizados que quiseram empenhar-se no processo, ao verificarem não existir saída política para uma descolonização negociada, tiveram de optar por se bater num dos três movimentos: UPA/FNLA, MPLA ou UNITA.
Os factores que permitiram ao Governo português obter uma situação favorável, do ponto de vista militar, em Angola, foram os seguintes, que podemos designar como os «trunfos portugueses»:

- Um exército que atingiu, por mobilização e recrutamento local, cerca de 70 000 homens, com algumas unidades irregulares altamente adaptadas ao tipo de guerra e ao terreno. Este exército combateu três movimentos de libertação, incompatíveis entre si, o que acentuou a sua fraqueza política e militar;

- Um acentuado progresso económico após o início da guerra;

- Uma massa de colonos europeus despolitizados e convencidos do seu direito de continuar em Angola;

- Uma massa de africanos heterogénea, com grandes clivagens étnicas e que, nos anos em que durou a guerra, beneficiou do progresso económico.


Índice
1 - Angola - O teatro de operações
2 - O papel dos Grupos Étnicos
3 - As populações e os Movimentos de Libertação
4 - O conflito.
5 - O nó do problema
6 - 1961 - Norte
7 - A partir de 1966
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