1963 - 1968


1963-1968

Apesar de já anteriormente terem ocorrido acções anticoloniais na Guiné-Bissau, 1963 foi o ano do início das operações militares.
As primeiras realizaram-se em Janeiro de 1963, com o ataque dos guerrilheiros do PAIGC à guarnição militar de Tite, a sul de Bissau, e com as primeiras emboscadas na região de Bedanda.
Em Março, o PAIGC tomou os navios Mirandela e Arouca, perto de Cafine, no Sul, utilizando-os posteriormente para seu apoio a partir da Guiné-Conacri.
Em Junho, elementos do PAIGC desencadearam acções na região de Xime, na zona leste.
Em Julho, explodiu o primeiro fornilho na Guiné, na estrada São João-Fulacunda, no sector sul.
Em Agosto, rebentou a primeira mina anticarro, mais uma vez em São João.
Em Janeiro de 1964, fugiram de Bissau dirigentes do PAIGC, que as autoridades militares consideravam recuperados, e teve início a Operação Tridente para a ocupação da ilha do Como.
Em Fevereiro, realizou-se no Quitafine, no Sul da Guiné, uma reunião de quadros do PAIGC e foram referenciados pelas forças portuguesas morteiros de 82 mm na ilha do Como.
Em 1964, a guerra no terreno foi conduzida pelo PAIGC e as acções militares mais importantes decorreram no Sul, dado o apoio da República da Guiné-Conacri. O Senegal apoiou preferencialmente a FUNG, sendo nesta época tentada a conciliação entre os dois movimentos.
Também entre os responsáveis portugueses havia divergências. Na sequência delas, o governador, comandante Vasco Rodrigues, e o comandante-chefe, brigadeiro Louro de Sousa, foram substituídos pelo brigadeiro Arnaldo Schulz, que acumulou o cargo de governador e comandante-chefe. Esta solução, única nos três teatros de operações (excepto no período em que o general Costa Almeida desempenhou as mesmas funções em Moçambique), manter-se-ia até ao final da guerra.
Em 1965 deu-se o alastramento da guerra ao Leste (Pirada, Canquelifá, Beli), o desenvolvimento das acções no «chão» manjaco (Jolmete e Pelundo) e foi o ano em que o PAIGC realizou as primeiras acções na fronteira norte, na região de São Domingos, onde até aí apenas actuava a FUNG, que lutava com grandes dificuldades depois de o conselho de ministros da OUA ter decidido canalizar o seu apoio para o PAIGC.
Em consequência da crescente afirmação internacional do PAIGC, este partido passou a receber nesse ano o apoio de militares cubanos. A presença de cubanos na Guiné-Bissau manter-se-ia ao longo de toda a guerra.
As forças portuguesas adoptaram um dispositivo clássico de divisão do território em três sectores-comandos de agrupamento. Com sede em Mansoa, Bafatá e Bolama, com os treze batalhões mais concentrados no Norte e no Sul, e com menor densidade no Leste.
Conduziram uma guerra defensiva, assente no vector da acção militar, guerra menos virada para a conquista das populações e mais para a manutenção de posições no terreno, limitando-se, de forma geral, a reagir às acções do PAIGC. Foi uma época de grande desgaste para as tropas portuguesas, que sofreram ataques, nas suas posições, nos quais a iniciativa pertenceu ao PAIGC, que gozava de grande liberdade de acção, principalmente no campo do recrutamento de combatentes e militantes, de implantação de estruturas militares e administrativas no interior do território e de controlo sobre as populações.
Enquanto o PAIGC se implantava e condicionava a manobra das forças portuguesas, estas faziam a seguinte apreciação do seu inimigo:

«O partido não carece, para uso interno, de qualquer ideologia doutrinária dado que os africanos não lutam por uma ideologia, mas por benefícios materiais. Medrosa e ambiciosa, a massa africana mobiliza-se pela força e pela promessa de uma vida melhor.»

Contudo, o comando militar português dispunha dos conhecimentos suficientes para, em documento enviado com instruções às tropas, explicar: «Todo o processo subversivo tem de desencadear-se segundo um "processo em espiral" de expansão das suas sucessivas fases de evolução: propaganda - aliciamento - implantação militar - organização político-administrativa - libertação de efectivos para novas áreas de expansão.»


Índice
1 - Zonas de Operações
2 - Influência do meio físico nas operações.
3 - A população e a guerra
4 - O papel dos vários grupos na guerra.
5 - O desenrolar da guerra.
6 - 1963 - 1968
7 - A era Spínola
8 - 1973 - O ano da viragem.
9 - Os últimos dias
Multi-média
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