A era Spínola


A era Spínola

O período em que Spínola conduziu a guerra na Guiné será tratado separadamente nesta obra, mas convém destacar a importância decisiva do confronto de dois homens de convicções estratégicas muito claras: Amílcar Cabral e António de Spínola, de que se salienta, por parte do general português, a introdução de forte componente política na sua actuação tanto junto das populações como na procura de solução negociada; a crescente africanização do conflito, com a formação de unidades de recrutamento local, de espírito marcadamente ofensivo; e o novo conceito operacional, de pendor ofensivo e de procura de supremacia, mesmo que transitória, em todas as zonas em disputa.

Entre 1968 e 1972, as forças portuguesas, sob o comando do general Spínola, conseguiram manter a situação sob controlo e, por vezes, tomar a iniciativa, numa acção que ele próprio classificou de «reagir para permanecer».

Apesar de alguns sucessos militares, do aprofundamento da divisão conseguida entre os vários grupos étnicos da Guiné, da acção da contra-informação portuguesa - que atingiu o nível mais alto da hierarquia do PAIGC -, da influência que os países hospedeiros (Guiné-Conacri e Senegal) pretenderam ter sobre a política deste partido, a situação evoluiu claramente para o lado do PAIGC e o ano de 1973 marcou o ponto de viragem da situação.

O gráfico das acções militares do PAIGC registadas pelas forças portuguesas assinalava 765 acções da iniciativa dos guerrilheiros em 1972, contra um total de 708 até Dezembro de 1971, o que demonstra o incremento da sua actividade.


Índice
1 - Zonas de Operações
2 - Influência do meio físico nas operações.
3 - A população e a guerra
4 - O papel dos vários grupos na guerra.
5 - O desenrolar da guerra.
6 - 1963 - 1968
7 - A era Spínola
8 - 1973 - O ano da viragem.
9 - Os últimos dias
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