1973 - O ano da viragem.


1973 - O ano da viragem

O ano de 1973 começou com o assassínio de Amílcar Cabral, em 20 de Janeiro, facto que não provocou diminuição da actividade operacional do PAIGC contra as forças portuguesas.
Em Março, o aparecimento dos mísseis antiaéreos apanhou de surpresa os militares portugueses obrigando-os a estudar a nova ameaça e a forma de a minimizar. Durante algum tempo, as forças terrestres e de superfície não puderam contar com o apoio da Força Aérea, falha que teve consequências graves, nomeadamente nos aspectos psicológicos.
A perda da supremacia aérea na Guiné provocou alteração profunda. É neste contexto que deve ser entendido o agravamento da situação nas regiões de Guidage, no Norte, e de Guilege/Gadamael, no Sul.
Pela primeira vez, os militares portugueses sentiram o desconforto de saber que poderiam não ser evacuados do campo de batalha ou que não teriam a presença tranquilizadora de um Fiat ou de um helicanhão sobre as suas cabeças.
Em Julho de 1973, no II Congresso do PAIGC, Aristides Pereira foi investido, com carácter definitivo, no cargo de secretário-geral, tendo Luís Cabral como secretário-geral adjunto e Francisco Mendes e João Bernardo Vieira (Nino) como secretários adjuntos.
Marcelo Caetano, em conflito com Spínola, deu por finda a sua comissão no Verão de 1973. O substituto de Spínola seria o general Bettencourt Rodrigues, antigo secretário de Estado e ministro do Exército, oficial do estado-maior com duas comissões em Angola, a última no Leste, como comandante subordinado de Costa Gomes, que foi chamado como a última esperança para alterar uma situação que Spínola considerava perdida.
Bettencourt Rodrigues tomou posse do cargo de governador e de comandante-chefe em 21.9.1973. Em 24 de Setembro, o PAIGC proclamou a independência do novo Estado, em Madina do Boé.
Curiosamente, nem Cabral nem Spínola, os dois homens que se defrontaram na Guiné, estavam em campo quando se concretizou este passo fundamental.
Bettencourt Rodrigues manteve as orientações do seu antecessor. Presidiu a um congresso do povo com algum incómodo, continuou a ocupação do Cantanhez, empenhando aí as suas tropas especiais, e reagiu com as que mantinha em reserva sobre guarnições ameaçadas.
O PAIGC exercia pressão, agora no Leste, sobre a guarnição de Canquelifá, que resistia apoiada no batalhão de comandos africanos e dos pára-quedistas, já em Fevereiro de 1974.


Índice
1 - Zonas de Operações
2 - Influência do meio físico nas operações.
3 - A população e a guerra
4 - O papel dos vários grupos na guerra.
5 - O desenrolar da guerra.
6 - 1963 - 1968
7 - A era Spínola
8 - 1973 - O ano da viragem.
9 - Os últimos dias
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