A Economia


A Economia

Moçambique obtinha a maior parte das suas receitas da actividade transportadora, que permitia ligar os territórios do interior da África do Sul, Rodésia (actual Zimbabwe) e Malawi ao mar através das linhas de caminho de ferro de Lourenço Marques, da Beira e de Nacala, e dos respectivos portos.
A agricultura fornecia cerca de 80 por cento das exportações de Moçambique, constituindo a noz de caju o principal produto que seguia para a Índia, onde era transformada e valorizada comercialmente. Outros produtos agrícolas com interesse económico eram a cana-de-açúcar, cultivada no vale do Zambeze por companhias monopolistas como a Sena Sugar Estates Lda, a Companhia Colonial do Buzi e a Sociedade Agrícola do Incomati; o algodão, cultura imposta que constituiu a grande fonte de receitas das populações do Norte, nomeadamente nos distritos de Cabo Delgado e de Moçambique, onde substituiu as culturas tradicionais, e que os africanos transaccionavam obrigatoriamente nos mercados do algodão organizados pelas grandes companhias concessionárias; e o chá, cultivado na Zambézia, que era exportado principalmente para Inglaterra.
A exploração mineira estava a dar os primeiros passos no início da década de 1970, com a exploração de carvão na zona de Moatize, perto de Tete.
Cahora Bassa era o maior empreendimento previsto para produção de energia hidroeléctrica, mas existiam já barragens no Tevué, em Chicamba e em Mavuzi.
Nos últimos anos da administração portuguesa, as importações eram aproximadamente o dobro das exportações. Por exemplo, em 1970, aquelas totalizaram cerca de 9,4 milhões de contos, enquanto estas foram de 4,5 milhões de contos. Os principais mercados de exportação e importação eram, por ordem de grandeza; Portugal, África do Sul, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Alemanha.
O défice da balança comercial era compensado com as receitas do turismo da África do Sul e, principalmente, com as remessas dos moçambicanos que trabalhavam nas minas sul-africanas, que constituíam mão-de-obra de exportação, sendo a sua actividade regulada por acordo de 1928, entre Portugal e o governo sul-africano, pelo qual a Witwatersrand Native Labour Association pagava 2,16 libras por cabeça ao Governo de Moçambique por cada homem recrutado durante 18 meses. Em 1950, estavam registados para trabalho nas minas e serviços domésticos na Curadoria do Transval e na Rodésia do Sul, 226 157 e 85 401 trabalhadores de Moçambique, respectivamente. Em 1960, esse quantitativo era de cerca de 400 000, tendo-se mantido ao longo dos anos da guerra.


Índice
1 - A Geografia
2 - Meio humano
3 - A Economia
4 - Administração