Forças de Intervenção


Forças de intervenção

Parte significativa dos efectivos das unidades de quadrícula, no mínimo um quarto, era empregue em funções de segurança da sua base, e outra parte realizava tarefas de apoio que garantiam a sobrevivência, reabastecimentos, transportes e manutenção, pelo que restava um efectivo diminuto disponível para manter o contacto com as populações ou para acções de combate.
Em regra, uma companhia de caçadores em quadrícula dificilmente podia libertar diariamente mais do que um grupo de combate (trinta homens) para operações, não dispondo de meios suficientes para conduzir eficazmente a luta contra forças de guerrilha com alguma envergadura, nomeadamente quando era necessário realizar golpes de mão a bases da guerrilha a grandes distâncias dos aquartelamentos. Foi por isso, e desde o início da guerra, considerado necessário utilizar outro conjunto de unidades para levar a efeito acções ofensivas, libertas do ónus de garantir a segurança do sector e capazes de obter êxito. Surgiram, assim, as forças de intervenção.
Estas forças constituíam uma reserva à ordem do comandante a quem eram atribuídas ou que decidira criá-Ias e, em teoria, teria sido conveniente que cada unidade de quadrícula dispusesse de uma unidade deste tipo, uma companhia por batalhão, e um pelotão por companhia. Contudo, por motivos que têm a ver com deficiências na instrução, no enquadramento, no comando e na mentalização, tal nunca foi possível, tendo sido a solução encontrada pelas tropas portuguesas a de atribuir esta função quase exclusivamente a forças especiais comandos, pára-quedistas e fuzileiros, que constituíam reserva dos comandantes-chefes.
Estes, ou lhes atribuíam directamente uma missão, o que foi vulgar na Guiné, ou criavam comandos específicos para o fazer, ou ainda as afectavam a dado comando de quadrícula durante certo tempo. O COFI (Comando Operacional das Forças de Intervenção), criado em Moçambique em 1970, e que exerceu o controlo operacional das forças para a Operação Nó Górdio e, posteriormente, para a Zona de Tete na defesa de Cahora Bassa, é caso típico do comando de forças de intervenção.
Estas forças foram, de início, empregues unidade a unidade, companhia a companhia mas, com o evoluir da guerra, passaram a ser utilizadas em escalões mais elevados - batalhões de pára-quedistas e de comandos - chegando a constituir-se grandes unidades com dois ou mais batalhões para conquistar determinado objectivo: Opeação Tridente, Operação Nó Górdio, Operação Ametista Real, recebendo o apoio de artilharia, aviação ou de meios navais.


Índice
1 - Exército
2 - Forças de Intervenção
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4 - Guiné
5 - Moçambique
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