Força Aérea


Força Aérea

No início da década de 1960, a Força Aérea Portuguesa tinha o seu dispositivo, organização, doutrina e meios articulados e organizados para a guerra convencional, no cenário de confrontação Leste-Oeste.

Em termos de aquisição de material, de formação de pessoal e de doutrina de emprego, privilegiava a ligação com os EUA.
Aviões que equipavam a Força Aérea no início da década de 1960:

- PV-2 Harpoon, destinados à luta anti-submarina, com base no Montijo e que foram utilizados a partir de1961, em Angola;
- T-6 Harvard, para ensino básico de pilotagem (usados nos três teatros de operações como aviões de apoio aéreo próximo e de bombardeamento);
- T-33, aviões a reacção para treino avançado;
- F-84, caças interceptores de origem americana;
- F-86, caças interceptores também de origem americana.

No início de 1958, foi enviada a África uma missão chefiada pelo brigadeiro Venâncio Deslandes, constituída pelo tenente-coronel piloto-aviador Ivo Ferreira, major piloto-aviador Diogo Neto, major Varela, médico, e capitão Teixeira de AImeida, engenheiro. O objectivo era estudar as possibilidades de criar unidades da Força Aérea nos aeródromos civis já existentes, reconhecer as pistas a utilizar pelos meios aéreos a deslocar, especialmente os caças F-84G, e avaliar a possibilidade de implantar uma base aérea em Nova Lisboa.

É curioso notar que as localizações previstas não levavam em linha de conta os perigos e as necessidades de intervenção armada no Norte de Angola, nem consideravam a hipótese de futuras acções violentas semelhantes às que ocorriam, na altura, um pouco por toda a África Negra. A Portaria 16 647, de Março de 1958, prevê a localização da base aérea em Nova Lisboa, no planalto central, na altura BA-7 e não em Luanda, como veio a verificar-se.
Para Angola, a missão recomendou um dispositivo triangular:
Luanda-Luso-Moçâmedes, desaconselhando Nova Lisboa por motivos operacionais, devido à altitude, e não por motivos de futuro emprego táctico. Apenas perante as consequências da independência do ex-Congo Belga, o dispositivo proposto foi alterado, optando-se por outro com os vértices em: Luanda (BA-9), Negaje (AB-3) e Henrique de Carvalho (AB-4).
Era este o dispositivo da Força Aérea em Angola no início da guerra. Verificou-se mais tarde ter o Luso maior importância operacional do que Henrique de Carvalho. Com o início das acções de guerrilha, foram então atribuídos meios operacionais à Base Aérea 9 (BA-9) de Luanda. Constituiu-se a Esquadra 91, com seis aviões PV-2 (retirados da Base Aérea 6, do Montijo) e, posteriormente, a Esquadra 92, com seis aviões Nord-Atlas (adquiridos à empresa francesa UAT, que operavam nos Camarões).
Mais tarde foram criadas a Esquadra 93, com aviões caça-bombardeiros F-84G, e a Esquadra 94, com helicópteros AL-III e Pumas. Foram estas aeronaves, às quais se podem acrescentar os aviões de observação e reconhecimento Auster e DO-27, que constituíram os meios da Força Aérea em Angola. O Grupo 901, que reunia as esquadras 91 e 92, sob o comando do tenente-coronel Diogo Neto, fez face ao primeiro embate do inicio da guerra. Os PV-2 realizavam reconhecimentos armados, protecção a populações cercadas e apoio a colunas militares, enquanto os Nord-Atlas reabasteciam povoações e evacuavam refugiados.

A organização da Força Aérea no espaço colonial previa a constituição de aeródromos-base em Bissau (AB-5), posteriormente Base Aérea 12, em São Tomé (AB-6), em Luanda (AB-7), posteriormente Base Aérea 9 e Lourenço Marques (AB-8), e como se referiu, a organização de bases aéreas em Nova Lisboa (BA-7), que não foi levantada e Beira (BA-8).
A nível dos grandes comandos foram criados a 2.ª Região Aérea - Angola e São Tomé; a 3.ª Região Aérea Moçambique; e o Comando da Zona Aérea da Guiné e Cabo Verde.


Índice
1 - Força Aérea
2 - Dispositivo e meios
3 - Missões
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