Custo de um soldado
Custo de um soldado História de uma fórmula (V=42n)
José Rosário Simões
As dificuldades orçamentais das FA levaram o Exército a estudar o custo mínimo para as forças em campanha (OFMEU). Com base nas despesas já efectuadas, concluiu-se que o custo diário médio de um combatente era, em 1965, de 105$00 para a Guiné, 115$00 para Angola e 125$00 para Moçambique.
No caso de Angola, a distribuição desta verba era a seguinte:
Vencimento e subsídio de campanha --------- 35$00
Alimentação ------------------------------------------- 23$00
Fardamento ---------------------------------------------- 5$00
Transporte (via marítima) --------------------------- 10$00
Restantes encargos ---------------------------------- 42$00
Estes «restantes encargos» incluíam a compra de todo o armamento, equipamento, material de aquartelamento, combustíveis e lubrificantes, serviços (água, luz, correio, telefone), alojamento e assistência religiosa, sanitária e social.
Englobava, por exemplo, os seguintes custos mínimos para um exército em operações:
Munições (dois cartuchos de espingarda/homem/dia) ------- 3$00
Combustível --------------------------------------------------------------- 2$50
Sobressalentes ----------------------------------------------------------- 4$00
Traduzida em termos anuais, esta despesa diária (per capital) correspondia a cerca de 42 contos, daí tendo derivado a fórmula V=42n (sendo n o número de homens).
Assim, em 1965, para os noventa e sete mil homens em campanha nos três TO eram necessários para o Exército (OFMEU) cerca de 4 120 000 contos, estando apenas orçamentados 2 000 000 de contos para os três ramos das FA, embora estivessem já previstos 3 450 000 contos. Ainda que todas as despesas tivessem sido pagas no fim do ano, este exemplo dá a medida das dificuldades financeiras com que se debatiam as FA, neste caso o Exército.
* Um centimo actual equivale a cerca de dois escudos




