Comandos africanos - Guiné, um caso muito particular


- Comandos africanos - Guiné, um caso muito particular

Os comandos utilizaram em largo número militares originários dos teatros de operações onde as suas unidades combateram, aproveitando o seu conhecimento do terreno, dos hábitos, das línguas e até de adaptação ao meio.
 
Mesmo unidades formadas inicialmente apenas por metropolitanos foram miscigenadas por militares do recrutamento local. Esta fusão ocorreu com as unidades organizadas em Angola e Moçambique, chegando a existir companhias cujos efectivos eram maioritariamente locais, incluindo os quadros.

A criação e o emprego dos comandos africanos na Guiné constituiu, no entanto, um processo na sua essência bem distinto quer na forma de utilizar estas tropas, quer na finalidade que se pretendia atingir com a sua criação e posterior desenvolvimento.

No início da guerra, um pequeno núcleo de militares africanos, de milícias e de tropas de segunda linha, que já colaboravam com as unidades metropolitanas e que haviam dado provas em combate, integraram os primeiros grupos de Comandos, tendo alguns deles, inclusive, sido instruídos em Angola.

Durante o mandato do general Schultz como comandante-chefe, estes grupos actuaram quer isoladamente, quer em apoio a unidades de comandos metropolitanos em acções irregulares, aproveitando a sua capacidade para se diluírem no meio, mas sem constituírem unidades autónomas.

Com a chegada do general Spínola, os comandos africanos foram reunidos em companhias e geraram os seus graduados, a partir dos elementos mais prestigiados.

Estas companhias dispunham apenas de um pequeno núcleo administrativo, chefiado por um sargento metropolitano, e de um capitão dos comandos, do quadro permanente e com experiência anterior, como assessor.
 
As unidades de Comandos africanos, de grande eficácia em combate, integram-se numa lógica de africanização da guerra, mas o aspecto relevante da sua constituição é serem mais importantes como instrumento da manobra política de progressiva autonomia, preconizada pelo general Spínola, do que como elementos da manobra militar.
 
Os Comandos africanos, dentro do conceito daquele general, seriam a elite militar africana que ele pretendia constituir como embrião de futuras forças armadas da Guiné independente, mas integrada no espaço português. É neste sentido que nos Comandos africanos se procede a graduações que levaram ao posto de capitão alguns dos seus elementos os quais, numa segunda fase, foram promovidos a tenentes-coronéis.


Índice
1 - Comandos
2 - Organização
3 - Comandos africanos - Guiné, um caso muito particular
4 - O fundador e outras personalidades
5 - Lema e grito de guerra