Fuzileiros em Angola.


Fuzileiros em Angola

Em Novembro de 1961, desembarcou em Luanda o Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º1 (DFE 1), a primeira unidade de fuzileiros criada pela Marinha para actuar em África, a qual iniciou a sua comissão no âmbito das operações de reocupação militar do Norte de Angola, após os acontecimentos de 15 de Março.
Executou missões de patrulha no rio Zaire, emboscando as margens e as ilhas daquele rio, nomeadamente Bulicoco, Quissanga, Lucala, Quitembe,região de Chichianga, Ponta Puelo e Lué Pequeno, cooperando com o Exército no Congo-Iala, a sudoeste da Pedra do Feitiço, de modo a impedir o movimento de guerrilheiros entre Angola e o Zaire.
Em Junho de 1962, chegou a Luanda a Companhia de Fuzileiros Navais n.º 1 e, em Agosto, o DFE 3. Até 1965, o dispositivo da Marinha foi aumentando, atingindo quatro destacamentos de fuzileiros especiais e duas companhias de fuzileiros navais. Com a evolução do conflito, a composição das forças foi alterada, reduzindo-se os DFE para dois e aumentando para quatro o número das CF, situação que se manteve até 1975.
O rio Zaire foi o cenário por excelência dos destacamentos de fuzileiros especiais durante os primeiros anos da guerra, tendo dois deles base em Santo António do Zaire.
O destacamento estacionado em Luanda realizava operações na zona dos Dembos, como unidade de intervenção do Comando-Chefe, em igualdade de situação com os comandos do Exército e os pára-quedistas. Posteriormente, o dispositivo foi alterado, fixando-se os três DFE no rio Zaire.
Estas três unidades foram divididas em secções, guarnecendo postos isolados ao longo do rio; um destacamento com secções em Macala (onde se encontrava o posto de comando) outra no Puelo e a terceira no Tridente; o segundo tinha a base em Santo António do Zaire e o terceiro guarnecia os postos da Quissanga e Massábi, em Cabinda. Estas secções executavam patrulhas em botes de borracha e faziam algumas incursões para o interior.
A abertura da frente leste provocou o deslocamento para aquela região dos destacamentos que se encontravam no Zaire e a sua substituição por companhias de fuzileiros navais (CF). A Marinha abriu a sua frente sul, instalando uma CF em Vila Nova da Armada, na região do Cuango-Cubango, as «Terras do Fim do Mundo». As companhias passaram a patrulhar os rios, enquanto os destacamentos deslocados do Norte executavam operações como unidades de intervenção no Leste.
O primeiro DFE instalou-se no Chilombo, na margem do rio Zambeze, sendo este rio e o Luena a sua principal zona de acção.
Utilizavam botes pneumáticos ou de fibra e contavam com o apoio de uma LDP e da lancha de fiscalização Caripende. No Leste de Angola, foi ainda colocado um segundo destacamento de fuzileiros especiais, no Lungué-Bungo. Estas duas unidades participaram no conjunto de acções das forças portuguesas contra a progressão do MPLA, pela chamada «Rota Agostinho Neto».


Índice
1 - Fuzileiros
2 - Fuzileiros em Angola.
3 - Fuzileiros na Guiné
4 - Fuzileiros em Moçambique
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