Fuzileiros na Guiné


Fuzileiros na Guiné

Em Junho de 1962, partiu para a Guiné o Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 2, para reforçar o dispositivo militar ali instalado. Seguiram-se os DFE 7 e 8, que, em conjunto, participaram na Operação Tridente, realizada para reocupar a ilha do Como, assim como nas buscas para localizar o sargento Lobato, piloto da Força Aérea que sobreviveu à queda do seu aparelho e seria feito prisioneiro pelo PAIGC.
A Guiné foi o teatro de operações onde os fuzileiros mais foram postos à prova, devido às particulares dificuldades do terreno, clima e inimigo. Neste teatro de operações, a Marinha sofreu cerca de sessenta mortos em combate, cinquenta e cinco dos quais eram fuzileiros.
Foi ainda na Guiné que se constituíram os dois únicos destacamentos de fuzileiros especiais africanos, os DFE 21 e 22, compostos por pessoal recrutado e instruído na Guiné, dentro da política de africanização da guerra.
No início da guerra, os DEF tiveram base em Bissau, subordinados ao Comando da Defesa Marítima da Guiné. Cada um deles actuava numa bacia hidrográfica (Cacheu, Geba/Corubal e Buba/Cacine), realizando golpes de mão anfíbios e exercendo a fiscalização com secções apoiadas numa LDM.
O evoluir da guerra obrigou a alterar este dispositivo e os destacamentos foram colocados junto das fronteiras norte e sul, atribuídos a um Comando Operacional (COP) ou a um Comando de Agrupamento Operacional (CAOP), sendo utilizados essencialmente em acções de contrapenetração a grupos vindos do Senegal ou da República da Guiné.
O pequeno número de efectivos dos destacamentos (oitenta homens) e a falta de elementos de apoio de serviços limitou a sua capacidade para viver autonomamente numa base em terra e para combater como um todo. Estas limitações tornaram-se mais nítidas com a evolução dos meios de combate do PAIGC e dos efectivos das suas unidades. À medida que a guerra na Guiné se aproximou da acção militar convencional, exigindo o empenhamento em combate de maiores efectivos das forças portuguesas e durante mais tempo, os destacamentos de fuzileiros viram as suas possibilidades fortemente condicionadas.
No relatório de comissão do DFE 8 na Guiné, o comandante da unidade escrevia em Maio de 1973: «Dois anos foram já passados e, durante esse tempo, uma constante no dia-a-dia: as estruturas orgânicas de um destacamento não estão de forma alguma adaptadas às situações reais em que têm de actuar.»
A limitação do emprego operacional dos destacamentos, resultante de nunca se terem constituído em batalhões e de não disporem de apoio de serviços, permitiu, contudo, o seu emprego autónomo no controlo das bacias hidrográficas e foi este conceito que levou o comandante-chefe da Guiné a colocar um DFE no Norte, no Cacheu, outro na «Bapat» (base de patrulhas) de Ganturé, junto a Bigene; e no Sul, um em Cacine e outro no rio Cumbijã, de modo a dificultar a movimentação dos guerrilheiros entre a fronteira e o interior do território. Também dentro da política de africanização da guerra foi criada, em Bolama, uma Escola de Fuzileiros da Guiné, instalando-se aí um centro de instrução, onde foram preparados os fuzileiros africanos.
Além dos DFE, a Marinha manteve na Guiné duas companhias de fuzileiros, que garantiam a segurança das instalações navais de Bissau (INAB) e participavam na escolta aos comboios de batelões que navegavam nos rios.
Até 1970, operaram quatro DFE na Guiné. Em Abril desse ano, foi criado o DFE 21, a primeira unidade de fuzileiros africanos, onde apenas os oficiais, sargentos e algumas praças eram metropolitanos. Nos finais de 1971, reduziram-se as unidades metropolitanas a três DFE, mas foi activado o segundo destacamento africano, o DFE 22.
Em 25 de Abril de 1974, encontrava-se um terceiro destacamento em formação no Centro de Bolama, que ainda foi activado em Julho de 1974, com a designação de DFE 23.


Índice
1 - Fuzileiros
2 - Fuzileiros em Angola.
3 - Fuzileiros na Guiné
4 - Fuzileiros em Moçambique
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