UPA/FNLA


UPA/FNLA

O ELNA, Exército de Libertação Nacional de Angola, constituía a organização armada da UPA/FNLA.

A formação do ELNA foi referida por Holden Roberto em conferência de imprensa, dada em Leopoldville, em 23 de Março de 1961, na qual disse: «E o carácter e a amplitude que os combates tomaram que nos levaram a cimentar o mais rapidamente possível a organização militar, a criar um exército forte, com quadros hierarquizados e dotado de material moderno e eficiente.»

Este exército contava, à partida e segundo informações do próprio movimento, com vinte mil homens, tendo algumas dezenas de jovens recebido treino na Tunísia, enquanto outros actuavam no interior de Angola. A zona operacional do ELNA, que se estendia, de início, ao Norte do território, estava dividida em várias regiões e estas em sectores, cada sector em guarnições e cada guarnição em patrulhas.

As operações militares do ELNA foram, no início, dirigidas no interior de Angola pelo comandante João Baptista, que morreu em combate no Bembe.

O ELNA dispunha ainda de estado-maior, instalado no Congo-Leo, sendo o seu primeiro chefe Marcos Kassanga, afastado de funções por alta traição, em Março de 1962. Os seus efectivos eram, em 1963, segundo a UPA, mais de vinte e oito mil homens.

A UPA/FNLA, após a contra-ofensiva das forças portuguesas realizada na sequência dos acontecimentos de Março de 1961, retirou a maior parte dos seus efectivos para o Zaire, mantendo apenas pequenos núcleos de guerrilheiros na floresta dos Dembos.

No Zaire, com apoio do exército congolês e da Argélia, o movimento foi reorganizado na sua componente militar, recebendo fundos americanos e armas do Leste.

Algumas fontes independentes do movimento e das forças portuguesas consideram ter atingido o quantitativo de seis mil combatentes, na sua maioria estacionados Zaire, partindo de bases ali situadas para incursões no interior de Angola, situando-se a sua principal base de apoio em Kinkuzu, na República do Zaire.

Em 1972, os membros do ELNA neste campo amotinaram-se, tendo sido necessária a intervenção do exército zairense para restabelecer a ordem. Estes acontecimentos levaram Holden Roberto a nomear novos chefes de estado-maior das frentes n.ºs 1, 2 e 3, respectivamente Domingos Miguel Nzambi Ozengawo, António Alberto Angelino e André Vemba. Foram condenados a trabalhos forçados cinco dirigentes e doze à pena capital.

Após os acontecimentos de Kinkuzu, a orgânica do ELNA passou a ser a seguinte:

- Frentes, em vez das antigas regiões;
- Zonas, em vez de sectores;
- Quartéis, em vez de guarnições.

Os quartéis correspondiam a um batalhão, sendo a sua organização tipo a seguinte:

- Comando, companhia de comando e serviços
- Duas companhias
- Polícia militar
- Enfermaria
- Paiol

No Norte, o ELNA estava organizado em companhias, cada uma com efectivos da ordem dos 75 homens, que ocupavam quartéis. Além destas unidades, o ELNA constituiu ainda companhias móveis que tinham por missão efectuar acções no interior de Angola, junto à fronteira.

O ELNA teve sempre grande apoio da República do Zaire, mas as relações entre os seus homens aquartelados junto à fronteira e as povoações zairenses e mesmo os militares do Zaire foram por vezes turbulentas. Daí, existir pressão constante ao longo dos anos da guerra, para «empurrar» os combatentes do ELNA para o interior de Angola.

Na sequência de reunião conjunta do Ministério da Guerra da República do Zaire e do Alto Comando do ELNA, realizada em Fevereiro de 1968, em Kinshasa, foi determinado que o comandante Noé se instalasse imediatamente em território angolano.

A actuação do ELNA no Leste de Angola surgiu como reacção à abertura desta frente pelo MPLA, que conseguira apoios na Zâmbia, à instalação naquela região da UNITA de Jonas Savimbi, um antigo dirigente da FNLA, e à necessidade de o movimento actuar em todas as frentes para poder continuar a reclamar a liderança da representatividade da luta de libertação, que estava a transferir-se para o MPLA.

A FNLA realizou as primeiras acções militares no Leste de Angola em 19 de Maio de 1968. As suas forças actuaram a partir da fronteira com o Catanga, entre Teixeira de Sousa e o marco fronteiriço 25, com um grupo de 65 elementos, que se infiltrou em Angola com o objectivo de reconhecer as posições da tropas portuguesas e a localização dos grupos do MPLA e da UNITA, para futuras acções.

Os grupos de guerrilheiros do ELNA eram organizados consoante a natureza e a finalidade das missões:

- Grupos para entrar em Angola: 15 a 30 guerrilheiros e 150 carregadores;
- Grupos de caça e pesca: 10 a 20 homens com o mínimo de armas;
- Grupos de emboscadas: 10 a 20 homens com armas automáticas;
- Grupos de colocação de minas: 3 a 5 homens.

O ELNA dispôs sempre de armamento em quantidade e qualidade, de origem soviética, embora a UPA/FNLA se afirmasse anticomunista.

Cada quartel dispunha do seguinte armamento:

- Espingardas Simonov                    20
- Espingardas Kalashnikov              20
- Pistolas                                              15
- Morteiros 60                                         4
- Morteiros 81                                         2
- LGFoguetes                                         4


Índice
1 - MPLA/ Rota Agostinho Neto
2 - UPA/FNLA
3 - UNITA
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