Cavalaria


Cavalaria

Nunca foi encarada a utilização de carros de combate (vulgo tanques) no teatro africano, já por inadequação, já porque, sendo material NATO, tinha restrições de emprego. Pelo contrário, as unidades de reconhecimento foram consideradas adequadas às condições locais, mesmo antes do eclodir das guerras.

A unidade-tipo era o esquadrão de reconhecimento (ERec), de escalão companhia.

A distribuição das unidades e viaturas em 1962 consta do quadro anexo.

Da lista deste material se constata que eram utilizadas auto-metralhadoras (blindados ligeiros de rodas) que podiam ser consideradas obsoletas, à excepção das Panhard, mas mesmo estas, sendo dos modelos EBR e ETT, revelavam-se mais apropriadas ao cenário convencional e foram retiradas do teatro, regressando à Metrópole. O interessante é que estas viaturas, já consideradas antiquadas antes do início da guerra, fizeram, no mínimo, toda a década de 1960, em condições especialmente desgastantes!

A necessidade de material moderno que respondesse às missões operacionais previstas (essencialmente abertura de itinerários e escolta a colunas) levou à procura de autometralhadoras adequadas, com os problemas já referidos para a obtenção de material de guerra. A escolha recaiu na Panhard AML, armada com morteiro de 60 mm, de origem francesa e produzida sob licença na África do Sul, que foi a escolha acertada dentro dos condicionamentos da época. A orgânica clássica de um pelotão de reconhecimento (ligeiro) é de quatro secções - comando, exploração, autometralhadoras e atiradores -, sendo apenas as duas últimas dotadas de viaturas blindadas.

A especificidade das missões acabou por ditar orgânicas diferentes, com os correspondentes efeito quanto ao material. Assim, foram criados pelotões Panhard dotados de sete AML (um no comando e dois por secção) e sete jipes, tipo de unidade empregue na Guiné e em Angola. A escassez e a dificuldade de obtenção de meios (inclusive financeiros) iria ditar mais uma solução específica.

A necessidade de garantir escolta blindada às colunas e protecção a certos pontos críticos levou à aquisição de viaturas Daimler Dingo, de origem inglesa. Tratava-se de viaturas já obsoletas, de blindagem lateral, abertas por cima, com tripulação de dois homens sem armamento, em suma, um jipe blindado. Estas viaturas receberam uma espécie de torre fixa, que lhes dava protecção por cima e que permitia a execução de tiro de metralhadora, através de escotilhas, tendo sido constituídos pelotões Daimler com cinco viaturas, para os três teatros, com especial incidência na Guiné. Se o problema das autometralhadoras ficou resolvido (quantitativamente) com as AML, já o mesmo não se passava quanto às viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) que as deveriam acompanhar.

Face às dificuldades de obtenção de um veículo que correspondesse aos desideratos operacionais (nos mercados acessíveis), foi apoiada a produção nacional de uma VBTP e assim nasceu a Chaimite, baseada na Cadillac Comando e que incorporava material de várias origens. Estavam inicialmente previstas versões AM, com canhão de 20 mm e VBTP, com morteiro de 60 mm e duas metralhadoras 7,62 mm, mas nenhuma destas versões foi produzida, saindo apenas uma com duas metralhadoras de 7,62 mm e um dispositivo pneumático para o lançamento de dilagrama, só empregue na Guiné.

Relativamente aos carros de combate, somente em Angola foram utilizados, a título experimental, dois M5A, um por uma unidade de cavalaria na região de Nambuangongo, nos finais dos anos 1960.


Índice
1 - Armas existentes antes de 1961
2 - Espingardas
3 - Metralhadoras
4 - Pistolas Metralhadoras
5 - Lança-Granadas
6 - Canhões sem recuo
7 - Morteiros
8 - Artilharia
9 - Cavalaria
10 - Orgânica
11 - Conclusões
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