Conclusões


Conclusões
 
- A primeira conclusão a que se pode chegar é que o armamento ligeiro existente em 1961 estava obsoleto: as espingardas eram de repetição, de calibre ultrapassado, as metralhadoras, do mesmo calibre, datavam da II Guerra Mundial e o material mais moderno estava, por regra, submetido aos acordos NATO quanto ao seu emprego.
Paralelamente, este último não era o adequado para a guerra de guerrilhas: peso elevado, excesso de potência, armamento pesado vocacionado para a luta anticarro e antiaérea, munições não apropriadas.
Concorrentemente, o material enviado para o Ultramar era o mais antiquado, inclusive anterior à II Guerra Mundial.

- O eclodir da guerra, se não apanhou o Exército completamente desprevenido, apanhou-o mal equipado; e a situação política internacional complicou ainda mais a obtenção, agora urgentíssima, de armamento que, a bem dizer, já estava vulgarizado - e até ultrapassado - noutros exércitos europeus. Para isso, houve que recorrer aos fornecedores acessíveis e improvisar a nível interno.

- É de salientar o esforço feito pela Fábrica de Braço de Prata (FBP) ao conseguir, em meses, a produção de componentes de G-3, e em pouco mais de um ano a arma completa, bem como a produção da HK-21 em quinze meses, com todos os problemas de transferência de tecnologia, aquisição de maquinaria, preparação de pessoal, etc.

- Também de realçar a criatividade demonstrada quer na produção de materiais novos (dilagrama, lança-rockets, morteirete), quer na adaptação e manutenção do velho já existente, sobretudo viaturas blindadas, tudo a par com a criação de doutrina táctica e de técnicas de emprego.

- Outra conclusão que se pode tirar é a da equivalência do armamento entre as partes em conflito: se exceptuarmos a artilharia (com as limitações já apontadas) e as viaturas blindadas (de emprego também limitado), pode dizer-se que o combate terrestre se travou, salvaguardando os efectivos, «entre iguais».

- Este trabalho não é, obviamente, exaustivo e foi muito limitado por dificuldades na pesquisa de arquivos, não por impedimentos legais, mas pela situação resultante das recentes alterações no Exército, que levou a que muitos dos arquivos se encontrem pura e simplesmente encaixotados. Esperamos, no entanto, que desperte a curiosidade das gerações mais recentes para um aspecto que, entre nós, é raramente tratado.


Índice
1 - Armas existentes antes de 1961
2 - Espingardas
3 - Metralhadoras
4 - Pistolas Metralhadoras
5 - Lança-Granadas
6 - Canhões sem recuo
7 - Morteiros
8 - Artilharia
9 - Cavalaria
10 - Orgânica
11 - Conclusões
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