Armamentos - Forças Armadas Portuguesas2


Armamentos - Forças Armadas Portuguesas2

- Arma individual: superioridade da Kalashnikov relativamente à G-3 - o dobro das munições, menos peso, menos avarias;

- Armas de apoio: mais e melhores metralhadoras ligeiras; muito melhores e mais facilmente transportáveis lança-granadas-foguete, em especial o RPG-7 relativamente à bazuca 8,9 cm americana; melhores morteiros médios e pesados, especialmente o morteiro soviético de 12 cm, com alcance de 5,7 km e uma granada de 16 kg, que não tinha equivalente do lado português; lança-foguetes de 122 mm, sem equivalente do lado português;

- Minas: grande variedade de minas e engenhos explosivos, incluindo minas aquáticas na Guiné, cuja única limitação de emprego residia na dificuldade de transporte entre as bases da retaguarda e os locais de implantação. Para fazer face a esta guerra de minas, as forças portuguesas utilizavam a detecção à vista ou por meios artesanais, as «picas», já que os detectores disponíveis eram os americanos do tempo da II Guerra Mundial, e só muito tarde foram distribuídos detectores mais modernos, mas em pequena quantidade;

- Armas antiaéreas: além de metralhadoras pesadas adaptadas ao tiro antiaéreo, quer o PAIGC quer a Frelimo dispunham de metralhadoras quádruplas de 14,5 mm, com as quais atingiram e abateram várias aeronaves portuguesas na Guiné e em Moçambique. Esta situação sofreu brutal agravamento no início de 1973, a partir da introdução dos mísseis antiaéreos Strella, na Guiné, que retiraram às forças portuguesas o único factor que nessa altura desequilibrava o potencial a seu favor, o apoio aéreo sem oposição significativa.

Em Maio de 1973, o general Spínola, comandante-chefe na Guiné, resumia a situação do seguinte modo:
«A situação actual em armamento atribuído às N.F. (nossas forças), quer no aspecto quantitativo quer qualitativo, no que se refere fundamentalmente às chamadas "armas de apoio", atingiu ponto crítico e torna-se indispensável rever com urgência o problema.»

Num memorando de 15.06.73, enviado ao Secretariado-Geral da Defesa Nacional, refere-se:
«Depois da morte de Amílcar Cabral começou a notar-se o recrudescimento da actividade inimiga, que culminou com o míssil terra-ar Strella. Não foi, contudo, só a introdução desta arma que teve influência na variação do potencial relativo de combate. Os factores que contribuíram para essa modificação foram os seguintes:

- Reorganização das unidades tácticas e introdução de grupos especiais de morteiros, artilharia, bazucas, foguetões, canhões antiaéreos, sapadores e fuzileiros;

- Introdução de novas armas: peças de 85 mm e 130 mm, foguetões de 122 mm, e morteiros de 120 mm de longo alcance;

- Dotação dos grupos e bigrupos com armas individuais moderníssimas, que lhes conferem superioridade instantânea de potencial de fogo, face aos nossos grupos de combate.

Sabe-se que o inimigo dispõe já de carros de combate, de aviação ligeira e de algumas lanchas, que ainda não utilizou.»

Face a esta análise, o general Spínola solicitava os seguintes meios:

Exército :
- 3 comandos de agrupamento;
- 8 batalhões de caçadores;
- 15 companhias de caçadores;
- 3 esquadrões de reconhecimento;
- 8 baterias de artilharia (campanha);
- 1 bateria de artilharia antiaérea (mísseis terra ar);
- 3 baterias de 9,4 cm;
- 3 companhias de engenharia e 3 companhias de construções;
- 2 companhias de transportes;
- 1 companhia de polícia militar;
- 1 companhia de transmissões;
- 4 hospitais cirúrgicos de campanha.

Força Aérea :
- 1 esquadrilha de 8 aviões Skyvan (transporte);
- 1 esquadrilha de 12 aviões Mirage;
- 5 helicópteros;
- 1 radar de detecção.

Marinha :
- 2 lanchas de fiscalização;
- 1 lancha de desembarque grande;
- 4 lanchas de desembarque pequenas;
- 1 destacamento de mergulhadores.

A situação em Moçambique não era muito diferente. Em carta de 29 de Janeiro de 1973, enviada a Sá Viana Rebelo, ministro da Defesa, Kaúlza de Arriaga solicitava o seguinte reforço de efectivos e de equipamentos:
 
Pessoal
- Pessoal para o Centro de Instrução de Comandos e para o Centro de Instrução de Grupos Especiais;
- 2 comandos de batalhão e 10 companhias de caçadores;
- Quadros (oficiais e sargentos) para 12 companhias de comandos, para 2 companhias de pára-quedistas e para 17 grupos especiais.

Material

Minas
- Fornecimento de 150 000 minas anti-pessoais para o obstáculo de Cahora Bassa;
- Um milhão de minas anti-pessoais para interdição da fronteira de Cabo Delgado.

Meios Aéreos

- 5 ou 6 aviões de transporte Nord Atlas diariamente prontos (o que equivale a 9, por necessidades de manutenção*);
- 20 helicópteros Alouette III prontos para operações gerais (o que equivale a 28*);
- 8 helicópteros Puma para defesa de Cahora Bassa (o que equivale a 10*);
- Fornecimento de helicópteros Puma e a existência de meios navais e aéreos de interdição da albufeira de Cahora Bassa.

Estes meios eram considerados vitais, condição sine qua non como o general Kaúlza de Arriaga afirmava no final da carta:
«Naturalmente que muitas outras necessidades existem, mas que, não sendo vitais, não podem consideradas sine qua non».

Estas necessidades sine qua non correspondiam, como o general refere em nota própria, a meio milhão de contos/ano, a preços de 1973.

A resposta que o Govemo deu pode sintetizar-se na carta de resposta de Horácio Sá Viana Rebelo a Kaúlza de Arriaga:
« Os números apresentados são, porém, tão vultosos e dispendiosos que não julgo haver ministro da Defesa no nosso país que pudesse tomar compromisso de lhes dar integral satisfação. Faltam na Metrópole os homens e não é demasiado o dinheiro. Além de que há outros TO que também reclamam reforços e prioridade estratégica.»
 
Nesse ano de 1973, quer Spínola, quer Kaúlza de Arriaga viram dados por findos os seus mandatos como comandantes-chefes na Guiné e em Moçambique, respectivamente.


Índice
1 - Armamentos
2 - Armamentos - Forças Armadas Portuguesas2
Multi-média
» Armas de Infantaria
» G3 - Kalashnikov