Cavalaria


Cavalaria

Na guerra convencional, a organização das forças para o combate obedece à distribuição de tarefas, cabendo à Cavalaria explorar a velocidade e a massa, do que resultam as divisões clássicas em cavalaria ligeira e cavalaria pesada, que deram origem às unidades de reconhecimento e às de blindados. Mas para a guerra de guerrilha as forças foram homogeneizadas em unidades tipo caçadores, sendo neste tipo, embora instruídas e mobilizadas nas unidades de Cavalaria, que assentou o esforço desta arma:

Unidades mobilizadas:

Batalhões de Cavalaria
Angola                              Guiné                     Moçambique                  Total 
    31                                     1 6                                 1 5                             62

Companhias de Cavalaria
Angola                               Guiné                     Moçambique                  Total
   130                                     60                                  71                             261

Contudo, a Cavalaria participou nos teatros de operações também com as suas unidades de reconhecimento, que dispunham de viaturas blindadas e eram, em princípio, particularmente adaptadas às missões de abertura de itinerários, de escoltas a colunas de viaturas e de interdição a zonas ou pontos críticos. Foram constituídos pelotões de reconhecimento - os primeiros equipados com viaturas Daimler, um scout car inglês que apenas dispunha de uma metralhadora ligeira como arma de bordo - e, mais tarde, em 1967, organizaram-se pelotões com auto metralhadoras ligeiras, as AML Panhard de origem francesa, armadas com um morteiro de 60 mm e duas metralhadoras.
Alguns destes pelotões foram reunidos em esquadrões de reconhecimento, mas já existiam outros nos efectivos das guarnições normais de Angola e de Moçambique antes do início da guerra.
Um esquadrão de reconhecimento equivale a uma companhia de infantaria e era constituído por três pelotões, dispondo cada um de duas auto-metralhado (as e de uma viatura blindada de transporte de tropas.
Em Angola existia, já antes de 1961, o Grupo de Dragões de Angola, unidade de reconhecimento que correspondia a um batalhão e que desempenhou papel de grande importância na reacção aos acontecimentos de Março de 1961 e na reocupação que as forças portuguesas fizeram do Norte da colónia. Este grupo tinha sede em Silva Porto, no Leste, mas manteve um esquadrão em Luanda. Estava equipado com auto-metralhadoras EBR Panhard, armadas com uma peça de 75 mm e dispunha de viatura blindada de transporte de tropas da mesma origem, o ETT.
Os EBR eram inadequados ao terreno, muito volumosos, pesados (quinze toneladas), com uma peça muito longa e que se movimentavam com grande dificuldade nas picadas abertas, a custo, na floresta tropical do Norte de Angola, mas o engenho dos militares em operações superou a má escolha feita pelos especialistas dos estados-maiores, resultante dos seus duvidosos critérios de apreciação de materiais adequados à guerra em África.
Na Guiné e em Moçambique, os esquadrões de reconhecimento dispuseram, durante a maior parte dos anos que durou a guerra, de auto-metralhadoras inglesas Fox, armadas com uma metralhadora de 12 mm e de viaturas de transporte americanas White ou de granadeiros ingleses, relíquias do tempo da II Guerra Mundial. Além da idade e dos problemas mecânicos dela resultantes, também estas eram inadequadas às missões que lhes atribuíam. O rebentamento de uma mina sob uma Fox provocava o desencaixe da torre e a morte do apontador, ao passo que o condutor batia com a cabeça violentamente na blindagem que o devia proteger.
No início dos anos 1970, chegaram AML Panhard a Moçambique, constituindo-se com elas um esquadrão que participou na Operação Nó Górdio, e no final da guerra estavam a ser fornecidas para a Guiné viaturas Chaimite.

Unidades de Reconhecimento:

Angola
- Grupo de Dragões - Silva Porto;
- Esquadrões de reconhecimento - três;
- Pelotões de reconhecimento (treze mobilizados) - dois em permanência.

Guiné
- Esquadrões de reconhecimento (doze mobilizados), até 1968 existiu apenas um em permanência, dois de 1968 a 1974 e três na fase final;
- Pelotões de reconhecimento (Fox) - dois em permanência;
- Pelotões de reconhecimento (Daimler) - onze em permanência.

Moçambique
- Esquadrões de reconhecimento - três;
- Pelotões de reconhecimento - seis.

O cavalo na guerra.
Aspecto interessante foi a utilização do cavalo na guerra, o qual participou intensamente nas operações no Leste de Angola, aproveitando as extensas, planas e abertas chanas. O que parecia ser, no início, manifestação de saudosismo de alguns nostálgicos, revelou-se excelente meio de aumentar a mobilidade das tropas naquele terreno particular, tendo a conjugação do animal com tropas apeadas e helitransportadas resultado em alguns sucessos.
A primeira experiência foi realizada com um pelotão a cavalo, em 1967, existindo em Abril de 1974 dois esquadrões a cavalo, mais uma companhia de cavalaria que havia sido adaptada.
Esta experiência provocou reflexos em Moçambique, tendo sido constituído o Esquadrão a Cavalo n.º 1, com sede em Vila Pery e que estava em fase final de instrução em Abril de 1974.

A Polícia Militar.
No Exército Português, a função de Polícia Militar foi atribuída à Cavalaria. As unidades de Polícia Militar eram formadas por militares desta arma, que frequentavam instrução especializada no Regimento de Lanceiros 2, na Ajuda.
A sua função principal era manter a disciplina, lei e ordem militares, mas foram também empregues para garantir a segurança de instalações críticas, patrulhar itinerários e escoltar pessoas e materiais.
As unidades de Polícia Militar estavam organizadas em companhias e pelotões.

Ao todo foram mobilizadas:

Companhias
Angola            Guiné           Moçambique        Total
    21                     7                      21 (a)                48

Pelotões
Angola             Guiné           Moçambique        Total
    19                      7                         -                       26

Em permanência (b)
Angola              Guiné           Moçambique
  1-4 (3)                 1                     2-5 (3)

(a) Uma destas companhias era do recrutamento local, sendo a única unidade de Polícia Militar, nos três teatros de operações, com esta característica, que resulta do processo de africanização da guerra.

(b) Número mínimo e máximo. Entre parêntesis o número que se manteve durante mais tempo.

Os blindados.
É uma curiosidade, mas foram utilizados carros de combate na guerra. O capitão de cavalaria Mendes Paulo conseguiu que o comando do Exército colocasse em Angola um pequeno número de blindados M5A 1, um carro ligeiro, idêntico àqueles com que as forças canadianas entraram em Paris, na II Guerra Mundial.
Estes carros estiveram em Nambuangongo, no Batalhão de Cavalaria 1927, e, segundo as notícias dos seus utilizadores, foram úteis e justificou-se o seu emprego. Tratou-se apenas de uma curiosidade, embora se tenha demonstrado que o emprego de blindados ligeiros era adequada na guerra de África, em certas circunstâncias.


Índice
1 - Exército
2 - Cavalaria
3 - Artilharia
4 - Engenharia
5 - Transmissões
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