Transmissões


Transmissões

As Transmissões desempenharam papel decisivo na actividade militar, nos três teatros de operações, e o reconhecimento da sua importância levou muitas vezes os comandantes a chamar a si o tratamento dos assuntos que lhes diziam respeito, evitando atribuir missões e iniciar operações sem se assegurarem de que as transmissões funcionavam.

Apenas após 1961 o Serviço de Telecomunicações Militares (STM) foi estendido a África, permitindo a comunicação entre a Metrópole e cada um dos teatros, Dentro destes, os sistemas disponíveis entre os comandantes das regiões militares e as unidades consistiam em redes radiotelegráficas guarnecidas e equipadas por pessoal das companhias de Transmissões existentes na unidade de Engenharia de cada uma das regiões.
Tais sistemas de tempo de paz revelaram-se insuficientes e inadequados ao escoamento do tráfego operacional e logístico resultante da actividade militar originada pela situação de guerra, e «só foi possível evitar um desastre militar logo no início do conflito em Angola porque, por felicidade, acabara de ser montado um sistema radiotelegráfico permanente na zona norte e, por circunstância, tinham sido adquiridos 160 equipamentos AN/GRC-9, com os quais foi possível dotar algumas unidades recém desembarcadas sem equipamento».
As primeiras companhias e batalhões que partiram de Luanda para o Norte não tiveram qualquer ligação ao dispositivo militar no seu avanço pelos extensos e perigosos itinerários, sendo obrigadas a socorrer-se das redes dos postos administrativos por onde eventualmente passavam, a fim de comunicar a sua situação. Apenas em Maio desse ano foi ensaiada uma solução de recurso, com a colocação de rádios junto das estações do STM, com escuta de hora a hora. Esta solução seria abandonada e substituída, à medida que foi possível estabelecer redes mais complexas, nomeadamente com a criação de duas redes permanentes com frequências de escuta obrigatória, uma de chamada e outra de serviço, para atender pedidos de socorro.

A organização das transmissões evoluiu nos três teatros, aproveitando a experiência de Angola, tendo a sua estrutura final sido idêntica: comando de transmissões, delegação do STM para as comunicações permanentes e uma unidade, agrupamento ou batalhão, para as transmissões de campanha, a guerra electrónica e a instrução.
 Na Guiné, todos estes órgãos ficaram reunidos no Agrupamento de Transmissões da Guiné. A evolução técnica dos sistemas permitiu a introdução de feixes hertzianos nas comunicações entre os principais órgãos de comando e as grandes unidades, e na Guiné este sistema facilitou, dada a pequenez do território e a ausência de relevo significativo do terreno, ligação directa muito fácil.
Quanto aos meios disponíveis, o Exército começou por utilizar o que dispunha à data do início do conflito, os rádios de origem inglesa P9, P11, P12, P19 e P21 (este último equipava os postos da administração civil) e o material americano fornecido para as unidades NATO da família SCR, de que se destacam os AN/PRC-10. O AN/GRC-9, do qual haviam sido recebidos 160, resultante da evolução do SCR/694, após a Guerra da Coreia, veio a ser, até quase ao final do conflito, o mais importante equipamento de rádio nos três teatros.
Ao longo do conflito foram feitas diligências para adquirir material mais moderno, nomeadamente a experiência mal sucedida com rádios HF-156 adquiridos à Inglaterra e construídos em Portugal sob a designação de CHP-1 e DHS-1, que não provaram, apenas tendo sido superadas as dificuldades com o aparecimento do RACAL TR-28, a partir de 1970.
A comunicação a pequenas distâncias e, principalmente, a ligação terra-ar que os AN/PRC-10 asseguravam, foram mais tarde efectuadas pelos THC-736 de origem francesa e, depois, pela sua evolucão AVP-1, conhecido por «banana» devido à sua forma.
Na Guiné, a partir de 1972, foi utilizado o STORNO, rádio de VHF que, embora de concepção civil, permitia conversações perfeitas em todo o teatro de operações quer de dia, quer de noite.


Índice
1 - Exército
2 - Cavalaria
3 - Artilharia
4 - Engenharia
5 - Transmissões