Lanchas de Desembarque


As lanchas de desembarque

João Falcão de Campos

A necessidade de construir lanchas de desembarque é consequência directa da criação das primeiras unidades de fuzileiros, em 1961.
Tentada a aquisição de embarcações em segunda mão, verificou-se rapidamente não ser possível obtê-Ias em razoável estado de manutenção, pelo que rapidamente se pensou em fazê-Ias em estaleiros nacionais. Embora as lanchas, em particular as de menores dimensões, fossem de construção relativamente simples, para ganhar precioso tempo foi seguido o caminho de adquirir os desenhos das utilizadas durante a II Guerra Mundial e desenvolver o seu projecto de execução em estaleiros nacionais.
Foram construídos três subtipos de lanchas: as pequenas (LDP), as médias (LDM) e as grandes (LDG) e, dentro destes grandes subtipos, constituídas classes que se distinguiam por algumas das suas características ou até pelo tipo de utilização a que se destinavam, em particular as chamadas lanchas logísticas. Ao longo dos anos, houve, por vezes, lanchas que mudaram de classe já depois de terem entrado ao serviço, chegando mesmo a ser criada uma classe que acabou por ser integrada noutra.
Nas lanchas pequenas há a assinalar as classes LDP 100, LDP 200 e LDP 300 e, nas lanchas médias, criaram-se as classes LDM 100, LDM 200, LDM 300 e LDM 400. As que inicialmente constituíram a classe LDM 500 acabaram por ser integradas na classe LDM 300. Distribuídas pelas três colónias, foi sobretudo para a Guiné que foi enviada a maioria: 51. Angola recebeu 15 e Moçambique 7, todas para o lago Niassa, ficando ainda algumas em Portugal, para treino dos fuzileiros.
As lanchas de desembarque grandes eram verdadeiros navios, embora as formas dos seus cascos, com fundo chato, não lhes concedessem as melhores características para as travessias oceânicas. Foram construídas em 1965 quatro da classe Alfange nos ENM, a que se seguiram outras duas, em 1969 nos mesmos estaleiros. Com excepção da Cimitarra, enviada para Moçambique, as outras estiveram quer em Angola, quer na Guiné, por vezes em mais do que uma das colónias.
As lanchas das classes LDM dispunham da metralhadora Oerlikon de 20 mm a ré, e as LDG, inicialmente artilhadas com duas metralhadoras também de 20 mm., vieram, numa segunda fase, a ser modificadas com a instalação de duas peças Bofors de 40 mm.
No total, foram construídas entre 1961 e 1976, as últimas das quais só ficaram prontas após a descolonização, 97 lanchas das quais 26 LDP, 65 LDM e 6 LDG.
O número total de lanchas construídas para enfrentar as tarefas que surgiram com o desencadear da Guerra Colonial foi, portanto, de 153 unidades, o que pode ser considerado um esforço verdadeiramente excepcional, quando se levar em conta que em cerca de 15 anos se passou da situação de verdadeira indigência para a de relativa suficiência deste tipo de embarcações.


Índice
1 - Lanchas e navios
2 - A Marinha antes da Guerra
3 - Programa de reequipamento naval
4 - Lanchas de Fiscalização
5 - Lanchas de Desembarque
6 - Lanchas no Lago Niassa
7 - Lanchas em Angola
Multi-média
» Os Navios dos...
» Reequipamento naval