Os acontecimentos


Os acontecimentos

Um mau começo com piores consequências. A preparação deste ataque, que semeou o terror indiscriminado e quase não teve resistência, ocorreu no Congo, durante os primeiros meses de 1961, sob a orientação da UPA (União dos Povos de Angola), movimento influente entre os Bacongos, dirigido por Holden Roberto, com o apoio de militares do exército congolês.

Apesar do aparente sucesso inicial, esta foi uma acção de pesadas consequências.

A sua actividade caracterizou-se por assaltos, levados a efeito por pequenos grupos, e pelo massacre de populações. Usavam a arma branca, as catanas e algumas espingardas, os canhangulos, e procuravam apoderar-se das armas das fazendas e dos postos administrativos. Não visaram nunca consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem apresentaram qualquer programa político. Mas as imagens dessa violência cega e desmedida, praticada nesses dias, constituem uma mancha que marcará para sempre os seus autores e mentores e terá efeitos perversos na luta pela independência de Angola, que se prolongarão muito para além do fim da guerra contra a potência colonial.

A surpresa terá sido total para os que foram apanhados na onda do terror, mas terá sido surpresa para todos?
 
Pelo menos para aqueles que foram deixados na ignorância, ou abandonados nas nuvens da ilusão de uma realidade fantasiosa, a surpresa foi fatal.

Em Angola, os efectivos militares resumiam-se, no início de 1961, a cerca de cinco mil militares africanos e mil e quinhentos metropolitanos, organizados em dois regimentos de infantaria (cada um com dois batalhões de instrução e um batalhão de atiradores) e um grupo de cavalaria. Dos dois regimentos, um encontrava-se em Luanda, a capital e o outro em Nova Lisboa, sobre a linha dos Caminhos de Ferro de Benguela, enquanto o grupo de cavalaria tinha a sede em Silva Porto e parte dos efectivos se encontrava em Luanda.

A densidade média era de um soldado para 30 quilómetros quadrados, estando imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada apenas mil soldados europeus e mil e duzentos africanos!

Nos Dembos não estava aquartelada qualquer unidade militar nem fora construída qualquer pista de aviação.

Nos tempos em que os reis costumavam ir à guerra ... Os massacres continuaram durante várias semanas, tendo morrido cerca de oitocentos europeus e seis mil africanos. Seguem-se treze anos de guerra, em três teatros de operações.


Índice
1 - 15 de Março
2 - A surpresa
3 - O comunicado oficial
4 - Os acontecimentos
Multi-média
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