Articulação das forças portuguesas


Articulação das forças portuguesas - Operação Tridente  

A Operação Tridente foi uma das mais importantes que as forças portuguesas realizaram nos teatros de guerra de África. Em termos conceptuais, tratou-se de uma operação combinada de forças do Exército, Marinha e Força Aérea, que desencadearam uma ofensiva convencional contra um objectivo determinado - a ilha do Como. Foi a primeira operação com estas características efectuada durante os treze anos de guerra e tinha como finalidade ocupar as três ilhas que constituem a região do Como: Caiar, Como e Catungo, as quais, desde 1963, estavam controladas pelos guerrilheiros do PAIGC. A região do Como era considerada importante pelo comando militar português, porque constituía uma base a partir da qual as forças da guerrilha podiam flagelar o território do continente e dificultar a navegação para sul da Guiné, por ser um ponto de apoio para as suas linhas de reabastecimento e porque lhes fornecia recursos alimentares, nomeadamente arroz.

A superfície das ilhas é de cerca de 210 quilómetros quadrados, dos quais 170 quilómetros quadrados são de tarrafo, que de doze em doze horas e, durante três horas, em virtude das marés, ficam cobertos de água e, na baixa-mar, deixam à vista lodo e lama.
No interior, as zonas de mata são densas e de difícil progressão. As forças portuguesas estimavam em trezentos os efectivos dos guerrilheiros, entre os quais referenciavam um grupo de quinze militares da Guiné-Conacri. Estas forças controlavam também a totalidade da população.

Desenrolar da operação.
A operação foi dividida em três fases. A primeira iniciou-se em 15 de Janeiro de 1964 e consistiu nos desembarques dos agrupamentos, que foram apoiados pela Força Aérea (tendo um avião T-6 sido abatido) e pela artilharia, a partir de uma base de fogos em Catió.
Numa segunda fase, as forças portuguesas efectuaram operações de patruIhamento das ilhas, de 17 a 24 de Janeiro.
Na terceira fase, de 24 de Janeiro a 24 de Março, concentraram-se os esforços na ilha do Como, sendo nesta última que se travaram os recontros mais intensos, mais uma vez com o apoio da artilharia e da Força Aérea. O maior combate desta operação ocorreu na região de Uncomené e na mata de Cachil, das 6 às 16 horas, tendo os guerrilheiros sofrido cerca de quarenta baixas.
Em mensagem atribuída a Nino Vieira, este terá escrito:
«Hoje faz 48 dias que os nossos camaradas estão enfrentando corajosamente as forças inimigas. Camaradas, tenham paciência, porque não tenho outra safa senão o vosso auxílio ... As tropas estão a aumentar cada vez mais as suas forças ... camaradas, não tenho mais nada a dizer-vos, somente posso dizer-vos que de um dia para o outro vamos ficar sem a população e sem os nossos guerrilheiros. Já estamos a contar com as baixas de vinte e três camaradas ... do vosso camarada, Marga-Nino.»
O elevado número de militares portugueses evacuados por doença deve-se à grande dureza das condições de vida a que foram sujeitas as unidades. Além do clima, os soldados alimentaram-se durante vinte e três dias consecutivos da mesma ementa das rações de combate, à base de conservas, e durante os outros quarenta e oito dias tiveram apenas uma refeição normal, quente. A água para beber era de péssima qualidade e não existia para lavagens de roupa ou banhos. Estas condições são visíveis no relatório do médico de uma das companhias, sobre o estado sanitário das tropas:
«Dos 151 homens que participaram na Operação Tridente, encontram-se em tratamento 132, que dividi em três grupos:
primeiro grupo - doentes recuperáveis em três semanas, 63;
segundo grupo - doentes recuperáveis em quatro semanas, 46;
terceiro grupo - doentes recuperáveis em seis semanas, 23 ... pelo que fica dito, podemos concluir que o estado dos elementos da companhia é positivamente mau ... a meu ver, não é de admirar que se encontrem nesta situação ... »
Na guerra de guerrilha a conquista do terreno raramente é definitiva e, menos ainda, decisiva.
A Operação Tridente é um exemplo desta verdade conhecida desde Sun Tse. Depois da reocupação e dos sessenta dias de permanência das forças portuguesas, os guerrilheiros voltaram ao Como e foi necessário realizar novas operações na zona, embora de menor envergadura.
Contudo, a região perdera importância como local de refúgio e apoio para a manobra militar do PAIGC, cujos combatentes ocuparam progressivamente posições mais vantajosas no interior do território, nas penínsulas de Cantanhez e do Quitafine, cercando os aquartelamentos portugueses de Catió e Bedanda .


Índice
1 - Articulação das forças portuguesas
2 - Aspectos gerais
Multi-média
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