Operação Ametista Real, a resposta


Operação Ametista Real - a resposta

O nítido agravamento da situação em Guidaje, que era particularmente nítido a partir de 8 de Maio, as notícias de grandes movimentações de tropas do PAIGC junto à fronteira com o Senegal, a dificuldade de reforçar e apoiar por terra aquela guarnição, dada a resistência encontrada pelas colunas que ali se dirigiam, e a existência de vários feridos que não podiam ser evacuados para os hospitais pelas limitações de emprego de meios aéreos, levaram o comandante-chefe a lançar uma operação de grande envergadura para envolver as forças do PAIGC que atacavam Guidaje e aliviar a pressão sobre aquela guarnição militar que permitisse reabastecê-Ia, retirar os feridos e substituir pessoal.
Esta tarefa foi atribuída ao Batalhão de Comandos da Guiné, que recebeu a missão de «aniquilar ou, no mínimo, desarticular a organização do lN na região de Guidaje-Bigene».
As forças executantes, num total de cerca de quatrocentos e cinquenta homens, foram assim organizadas:

Comandante da operação - major Almeida Bruno.

Agrupamento Romeu
- 1.ª Companhia de Comandos - capitão António Ramos.
Agrupamento Bombox
- 2.ª Companhia de Comandos - capitão Matos Gomes.
Agrupamento Centauro
- 3.ª Companhia de Comandos - capitão Raul Folques.

As forças do Batalhão de Comandos saíram em 18 de Maio de Bissau numa LDG, apoiadas por duas LFG, e desembarcaram em Ganturé nessa tarde. Depois de um briefing em Bigene, saíram pelas 23 e 50h para Norte, pela seguinte ordem:

- Agrupamentos Bombox, Centauro e Romeu.
Pelas 5 e 30h, de 19 de Maio, a testa da coluna alcançou o itinerário que apoiava a base de Cumbamori, objectivo principal da operação. O Agrupamento Bombox passou para norte da estrada, o Agrupamento Centauro ocupou posições a sul e o Agrupamento Romeu instalou-se à retaguarda, numa pequena povoação.
Ás 8 e 20h iniciou-se o ataque aéreo com aviões Fiat G-91, que destruíram os paióis da base, tendo as munições explodido durante algum tempo.
Às 9 e 05h o Agrupamento Bombox executou o assalto inicial, provocando o primeiro contacto com as forças do PAIGC. Estes combates desenrolaram-se até às 14 e 10h, quando o comandante da operação deu ordem para o Agrupamento Centauro apoiar uma ruptura de contacto entre as suas forças e as do PAIGC. Foi uma operação de grande dificuldade, porque os combatentes de um e outro lado se encontravam muito próximos. O comandante do Agrupamento Centauro foi ferido, mas conseguiu realizar essa separação.
Às 14 e 30h, o Batalhão de Comandos iniciou o movimento para a base de recolha e às 18 e 20h, os seus primeiros elementos chegaram a Guidaje. Em 20 de Maio, o mesmo batalhão saiu de Guidaje para Sinta, a pé, deixando ali os seus feridos e os militares que não se encontravam em condições de prosseguir a marcha. Em Sinta, embarcou numa LDG de regresso a Bissau.
Nesta operação, o Batalhão de Comandos sofreu dez mortos, vinte e dois feridos graves e três desaparecidos, estimando ter causado sessenta e sete mortos, entre os quais, segundo informação mais tarde obtida no Senegal, uma médica e um cirurgião cubanos e quatro elementos mauritanos.
Durante a acção, as forças do Batalhão de Comandos consumiram as seguintes munições:

7,62 mm (G-3)                                                                       26 700
7,62 mm (Kalash)                                                                   4 600
Granadas de lança-granadas-foguete de 6 e 8,9 mm       292
Granadas de RPG-2 e RPG-7                                                    71
Granadas de morteiros                                                             195
Granadas de mão ofensivas e defensivas                            268

A situação melhorou durante algum tempo, até porque o esforço do PAIGC se passou a concentrar na frente sul, sobre Guileje e Gadamael.
Nestes 20 dias do mês de Maio e nesta região em torno de Guidaje, as forças portuguesas sofreram trinta e nove mortos e cento e vinte e dois feridos.


Índice
1 - O inferno
2 - O Cerco de Guidage
3 - Operação Ametista Real, a resposta
4 - Guileje, a outra ponta da tenaz
5 - Gadamael, o verdadeiro inferno
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