A vida no quartel


A vida no quartel

A vida diária no quartel tinha uma rotina que, embora não fosse de cumprimento rigoroso, se adaptava às circunstâncias com alguma flexibilidade e se pode caracterizar pelas seguintes actividades:

- Primeira refeição, habitualmente não obrigatória;
- Içar da bandeira;
- Formatura para distribuição de serviços;
- Trabalhos da manhã;
- Almoço;
- Trabalhos de tarde;
- Arriar da bandeira;
- Jantar.

As unidades saíam para operações de patrulhamento, ou outras, de acordo com o plano de actividade, que não dependia do horário de serviço, sendo estas rotinas ainda muito facilmente alteradas pela chegada de colunas de reabastecimento ou de aviões com o correio, pela necessidade de saída inopinada para operações, pela evacuação de feridos e pelos ataques dos guerrilheiros, que ocorriam habitualmente de noite, aliás, o período mais difícil de passar, dada a necessidade de montar postos de segurança, a noção da ameaça mais provável e até o incómodo provocado pelos insectos.
Aspecto muito marcante do quotidiano no quartel era a alimentação dos militares portugueses, a qual era definida em termos calóricos pela Manutenção Militar, que estabelecia dietas-tipo, com quantidades de géneros por cabeça. Contudo, a grande dificuldade residia em fazer chegar esses géneros até às tropas e, especialmente, garantir o fornecimento de alimentos frescos (vegetais, fruta, ovos, carne, peixe), pelo que muitas vezes se utilizavam recursos locais e a caça.
Questão também importante era a confecção dos alimentos, a cargo de cozinheiros mal preparados, que iam aprendendo com a prática. Embora não tenha sido regra geral algumas unidades sofreram sérias carências alimentares, nomeadamente no que diz respeito à variedade das refeições, com longos períodos de consumo de hidratos de carbono e conservas.


Índice
1 - Os quarteis
2 - A construção
3 - A vida no quartel
Multi-média
» A vida em Cuntima...
» O dia-a-dia no...